Review of Herø (2001) by Guylherme L — 16 Apr 2016
ALGUÉM TRAZ O ESFREGÃO PORQUE O CHÃO TÁ LAGRIMADO AQUI! Pegando a ciclovia de feelsbad do ~~domingão pré-impitchmate~~, pintou a ideia de ver um filme que há muito já repousava na minha habitual listinha de filmes para dar uma conferida e hoje pude finalmente assoprar a fita e rebobinar Her (2013), do ótimo Spike Jonze (Onde Vivem os Monstros).
Se você é que nem eu e já tinha uma leve ideia sobre o que se tratava a estória do filme, quebrou a cara porque ao assistir verás que o prato é muito mais apimentado do que aparenta. Repleto de filosofia, conceitos de astrofísica, aparelhos hi-tech, melancolia, música boa e putaria de levs, é o filme perfeito para todo adolescente 2000s criado a base de internet discada e joguinhos onlines.
Theodore (interpretado pelo excelente Joaquin Phoenix) é um escritor de cartas alheias - pra fugir do desemprego qualquer trampo é válido nénon - que sofre as consequências de um relacionamento mal sucedido com sua (quase) ex-esposa.
Depressivo, melancólico e psicologicamente frágil, Theo só se anima com duas coisas: videogames - a propósito, adorei o alienígena coadjuvante e quero um jogo daqueles pra ontem - e telesexo. Sem muitas aspirações desde que se distanciou de sua amada, Theo reencontra a felicidade - que frase bonitinhann - por meio de um Sistema Operacional (OS) dotado de Inteligência Artificial, que se comunica com o protagonista através de um fone sem cabo pra poupar o tempo de desembaraçar - olha só como o futuro é maravilhoso - e por um mini-smartphone com uma câmera que serve de "olho" para o OS.
Ah, e esse OS se vê como uma mulher chamada Samantha (voz de Scarllet Johansson). Viram só? O filho da puta deu a sorte de ter um OS com a voz da Scarllet Johansson! Quais são as chances de isso acontecer? Nisso, os dois acabam se envolvendo demais um com o outro, e apesar de Samantha não possuir uma forma exata, é como se Theo conseguisse senti-la e até mesmo toca-la.
Então, o que vem a seguir é uma intensa descoberta de sentimentos e viagens filosóficas sobre os limites da tecnologia e do amor. Se apaixonar por uma Inteligência Artificial pode soar como coisa de sci-fi, mas não é.
É notável e admirável que as pessoas de hoje em dia sejam livres para escolher seu próprio caminho, e como seres humanos as chances de escolhermos o caminho que nos levará para o fundo do poço cresce 101% a mais a cada passo.
Em momentos de fraqueza, damos brecha não só para bactérias e qualquer outro tipo de doença mas como também para qualquer um que chegue prometendo carinho e cafuné. Some isso ao fato de que passamos mais tempo ao lado de nossos companheiros eletrônicos do que ao lado de amigos de pele e osso.
Dá pra ver o resultado? Sim, você e seu computador sentados numa árvore... SE BEIJANDO!!! O filme, apesar de ser bastante melancólico em alguns aspectos, acerta na dosagem de humor com o sempre bem vindo Chris Pratt fazendo uns bico aqui e ali e a bonitinha mas ordinária da Amy Adams, que contribui nos momentos tristonhos.
Como somos levados a nos afeiçoarmos com Theo desde o início, é muito fácil acreditar que a sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara) foi a desgraçada da história toda, como acontece em diversos filmes do tipo - sim, estou falando de 500th Days of Summer mesmo -.
Só que é válido lembrar que uma relação é uma balança, onde ambos precisam se compreender e respeitar igualmente. Quando um não quer, dois não fodem. Talvez se Theo tivesse se tocado disso mais cedo, não teria passado por essa confusão toda.
Como um filme de romance, Her representa. Como um filme de comédia sem ser bobalhão, Her dá aula. Como um filme de drama, cheio de questões filosóficas e cenas constrangedoras para se ver em família, Her se supera ainda mais.
Realmente, acho que tenho mais um filme pro meu Top 10 choroso.
This review of Herø (2001) was written by Guylherme L on 16 Apr 2016.
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