Review of Meet the Robinsons (2007) by Guylherme L — 02 Sep 2017
Se tratando de animações, uma coisa é fato: em todas as 200 línguas diferentes ao redor do mundo - menos na Coréia do Norte e no Acre -, a Disney é a referência se tratando de animações. Um fato é um fato, meusa migos. Isso vem desde os tempos de 1900 e guaraná com rolha quando Walt Disney, ou Valdisnei na versão traduzida, criou seu império para os baixinhos (seria o Valdisnei o irmão da Xuxa?) ao lançar o camundongo mais famoso de todo o mundo.
Para aliviar toda a tensão da vida que a cada dia é uma pedrada diferente nas costas, tarados fazendo o que querem nas ruas e políticos roubando o povo sem o menor pudor, resolvi reassistir um dos meus filmes de animação favoritos, um daqueles que te marcam de um jeito que nenhum outro marcou. Sem mais delongas, pegue os seus sonhos, coloque numa caixinha e embarque na nave-mãe para conhecer A Família do Futuro (2007).
'Meet the Robinsons!?', no original, é um filme de animação da Disney (só da Disney, não da Pixar) dirigido por Stephen J. Anderson e baseado no livro 'A Day with Wilbur Robinson' de William Joyce, famoso autor de histórias infantis lá da gringa. Na estória, Lewis é um jovem garoto com uma mente brilhante e sonhadora, passando a maior parte de seu tempo inventando coisas no seu quarto. Porém, Lewis é órfão, tendo sido abandonado ainda quando bebê na porta de um orfanato onde cresceu desde então. O menino, embora seja muito inteligente e criativo, tem no seu currículo 124 entrevistas recusadas com potenciais pais adotivos, que sentem que o jovem inventor tem um ritmo elétrico demais para eles acompanharem. Por estar constantemente sozinho, tendo como único amigo próximo o pequeno Goob, seu colega de quarto e a pessoa que mais sofre por causa de toda a energia de Lewis tendo insônia desde então, um garoto que sonha em ganhar o campeonato de beisebol local.
Com um histórico largo de fracassos em suas invenções, Lewis constantemente se culpa pelo fato de ter sido abandonado por sua mãe quando bebê e queria poder mudar o seu passado. Quando Lewis é convidado para participar de uma feira de ciências, o menino começa um trabalho intenso com a ajuda do seu amigo para conseguir impressionar a todos e então ser visto com mais bons olhos pelos outros, mas tudo dá errado quando um misterioso homem de chapéu-coco, chamado o Cara do Chapéu-Coco, sabota a invenção de Lewis que o lançaria para o mundo.
Frustrado, o menino começa a pensar em desistir quando é confrontado por um estranho garoto de cabelo cheio de gel que fala sobre coisas esquisitas como poder viajar para o futuro. O menino chamado Wilbur convoca Lewis para ir ao futuro com ele e poder consertar a sua burrada, afinal, foi Wilbur que deixou o Cara do Chapéu-Coco pegar a máquina do tempo do seu pai (louco, né?) ao esquecer de fechar a garagem (muito louco). O Futuro, com isso, está ameaçado e os dois garotos precisam consertar a linha do tempo juntos. Em troca de sua ajuda, Wilbur promete que ajudaria o menino a voltar no tempo para impedir que sua mãe o deixasse sozinho na porta do orfanato.
Caso você tendo lido isso muito rapidamente pode achar a história toda muito confuso, afinal, são viagens no tempo e se você tem alguma experiência com De Volta para o Futuro ou The Flash sabe que esse é sempre um assunto complicado. Porém, o filme da Disney sabe muito bem como lidar com esses absurdos temporais e faz tudo parecer simples, conectando o passado e o futuro de uma maneira divina e muito divertida. No futuro, Lewis conhece a família de Wilbur e desde a sua chegada ele fica deslumbrado com toda a fachada high-tech que a cidade tem e ainda mais deslumbrado com a família do menino do futuro, extremamente grande e simpática, acolhendo o rapaz desde o início.
Ao longo do filme, o relacionamento entre Lewis, Wilbur, o Cara do Chapéu, o T-Rex, os sapos espiões, Goob e todos os outros personagens é ainda mais desenvolvido e não de um modo arrastado, forçado. É um desenvolvimento leve e genuíno, com Wilbur e Lewis criando uma intensa amizade até o primeiro plot twist do filme, com uma revelação arrebatadora sobre o menino. O visual da animação é bastante simples, seguindo o modelo tradicional do estúdio do camundongo, e a trilha sonora é ABSURDA! Sério, é de cair algumas lágrimas ao final do filme ao som de Pequenas Maravilhas. A dublagem brasileira, como sempre, é espetacular e as piadas funcionam tanto no idioma original quanto no nosso tupiniquim. Porém, o que me faz ter essa animação como uma das favoritas, como eu disse, é a moral de toda a história.
Eu disse há algumas linhas atrás que havia um primeiro twist, certo? SIM! Há mais de um, talvez dez twistes ao longo do filme. Seja sobre Wilbur, seja sobre Lewis, seja sobre o Cara do Chapéu ou seja sobre o Chapéu do Cara do Chapéu, o filme é repleto de viradas que a um primeiro momento você pode até estranhar, mas nada do nível de Inception ou Donnie Darko, porquê né. Nesse segundo twist temos um importante ponto sobre o filme: a maneira como ele lida com o sucesso e o fracasso de seus personagens.
Como Lewis, o menino inventor, temos que sempre insistir e seguir em frente. Temos que continuar após os fracassos, temos que juntar nossos caquinhos e nossos sapinhos e sempre levantar a cabeça para o futuro para que assim possamos nos superar a cada dia. Futuro este que não pode ser deixado de lado apesar de tudo. O presente é essencial, ele que vai ditar tudo. Seu futuro, quem você é, tudo. O passado? Pouco importa. Como Lewis ao final do filme, o seu futuro brilhante só foi possível graças a superação que teve ao esquecer a dor do passado e aprender com ela, coisa que o Cara do Chapéu não soube fazer. Ele, para falar a verdade, representa o oposto de Lewis ao alimentar a frustração do passado e não seguir em frente e, embora tenha tido um destino mais trágico que o menino, pôde se redimir no final e teve o seu destino recompensado.
A Família do Futuro é um filme belíssimo, com uma história de encher os olhos e um final ainda mais belo. Todo o drama pelo qual os personagens passaram e suas superações são lindas de acompanhar. Uma belíssima história de início, meio e fim - ou algo do tipo já que é uma viagem no tempo hehe - que, graças ao tempo, não teve nenhuma continuação absurda como Irmão Urso ou outra animação da Disney. E por falar em animações da Disney, Meet the Robinsons! é só mais um de muitos filmes maravilhosos subestimados e esquecidos pelo grande público, mas quem sabe vira um clássico cult daqui a pouco? O Futuro ninguém sabe, ao menos que você tenha uma máquina do tempo na sua garagem.
This review of Meet the Robinsons (2007) was written by Guylherme L on 02 Sep 2017.
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