Review of 2001: A Space Odyssey (1968) by Guylherme L — 03 Feb 2016
Nas palavras do próprio autor, Arthur Clarke, entender toda a complexidade de '2001: A Space Odyssey' de prima é uma tarefa quase impossível. Considerado o ápice da Ficção Científica, Stanley Kubrick conseguiu transcender os limites do absurdo, tanto para a época em que o filme foi lançado quanto para a época atual. Um pouco antes do homem ter conseguido sambar na lua, Kubrick nos agraciava com um filme tão genial que até hoje causa dúvida nas cabecinhas cults dos cinéfilos de sábado a noite. Com técnicas de filmagem inovadoras, uma narrativa lenta e muita música clássica, 2001 fez seu nome no universo cinematográfico com uma das melhores interpretações filosóficas sobre a ascensão da humanidade de todos os tempos. Começando ainda no tempo em que sua avó usava frauda, vemos o pontapé inicial da evolução do homem: a criação da ferramenta. Em questões de segundos, Kubrick faz uma analogia muito bem sacada entre o osso, utilizado como arma pelo que viria a se tornar a espécie humana, e um satélite, enfatizando o aprimoramento das ferramentas antes usadas principalmente por questões de sobrevivência e que depois viriam a se tornar grandes aliadas em explorações, no lazer e coçar aquela parte inacessível da suas costas. É também na primeira sequência que temos o vislumbre do que mais pra frente se tornaria o elemento principal do enredo: o monólito misterioso emissor de sons de baixa frequência aparentemente extraterrestres. Um tanto quanto surreal, o objeto misterioso aparece tanto na Terra pré-histórica, perturbando e fascinando os macacos que ali viviam, quanto em partes aleatórias do espaço, como na lua, sendo descoberto enterrado há 4 milhões de anos. Brilhantemente, vê-se mais uma conexão entre o homem da pré-história e o homem moderno quando o Dr. Floyd (William Sylvester) olha para o monólito negro tão fascinado e incerto sobre se o que está vendo é real quanto o seu antepassado. Em seguida, ocorre um salto de 18 meses até que somos levados a bordo da nave Discovery que conta em sua tripulação o Dr. Dave Bowman (Keir Dullea), o Dr. Frank Poole (Gary Lockwood), o supercomputador HAL 9000 (voz de Douglas Rain) e mais 3 sonecas que não contribuem em nada para o filme. É justamente nessa parte do filme onde temos mais ação e contato com a psique dos personagens. A idealização da espaçonave Discovery e a construção da inteligência artificial de HAL são para mim o ponto-chave do filme. Sigo uma linha de raciocínio que me proíbe de acreditar em coincidências quando o assunto é a obra alheia, e ficou uma impressão de que Kubrick fez com que HAL agisse de uma maneira mais perto da natureza humana do que os próprios homens abordo da nave, que de uma maneira geral possuem os mesmos sentimentos de uma calculadora científica qualquer. Tudo o que ocorre nessa parte do filme é spoiler e, mesmo tendo quase certeza de que você já sabe o que acontece, eu vou segurar minha boca e pular pro capítulo final. Abraçando o absurdo de vez, Kubrick salta em uma experiência psicodélica pelos confins de Júpiter e visualizamos mais de 20 minutos de pura vibe lisérgica espacial. Ao fim, temos o que é pra mim o clímax mais subjetivo de todos. Afinal, o que é mais subjetivo que um feto espacial observando o planeta Terra? Eu poderia deixar minha conclusão sobre o filme, mas já me enrolei escrevendo isso tudo e não consegui descrever nem 10% do que é toda a maravilha cinematográfica. Amada por alguns, odiada por outros, 2001 é um filme de difícil compreensão e de ritmo bastante lento, diferenciando-o de grande parte das ficções científicas dos últimos anos. Se estás disposto a fritar seu cérebro no vácuo do espaço e encarar a grande odisseia, pegue seu osso e embarque na nave espacial mais próxima de você.
"Dave, essa conversa já não faz mais sentido. Adeus." - HAL 9000.
This review of 2001: A Space Odyssey (1968) was written by Guylherme L on 03 Feb 2016.
2001: A Space Odyssey has generally received very positive reviews.
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