Review of The Purge: Election Year (2016) by Guylherme L — 08 Oct 2016
Poucos filmes de ~~~terror~~~ rendem uma franquia rentável hoje em dia, algo que os façam ser lembrados pelos fãs ávidos desse gênero tão controverso. The Purge, assim como seus personagens, foge da maioria. James DeMonarco, um diretor considerado jovem se compararmos aos demais, construiu o seu Massacre da Serra Elétrica no primeiro filme da franquia, ainda em 2013, conquistando um grande fã-clube que aguardaria ansiosamente pelos próximos capítulos dessa história fictícia, mas que é tão real para determinados povos da sociedade. Porcamente traduzido como 12 Horas para Sobreviver aqui no Brasil - teria mais a ver se fosse chamado de Sábado de Carnaval - o terceiro filme infelizmente foi prejudicado pela tradução de seu título, que em nada conecta com os outros 2 da franquia. Mas focando na estória, o The Purge é uma recente tradição dos EUA modernos, onde consiste em um tipo de movimento político mascarado de religioso onde, por um dia, o crime é liberado nas ruas com pretexto de "purificar" as pessoas que tanto celam seus rancores e desejos macabros às sete chaves. E como eles purificam? Extravasando tudo na noite do crime, acertando as contas com seus inimigos, se vingando daquele professor que te reprovou ou atirando uma flecha em um mendigo que não sai da frente da sua pastelaria. A tacada magnífica de The Purge 3 é o modo como DeMonarco conecta a atualidade, com as eleições dos States trazendo à luz uma figura conservadora do tipo de Donald Trump, com a terror da ficção, que nada mais é do que um reflexo exagerado da verdadeira psique humana. No The Purge, os mais prejudicados são a classe C e os marginalizados, que como não podem pagar pela proteção de empresas de segurança, tomam na jabiraba pra poderem sobreviver. Isso não é diferente de favelas ou periferias do Brasil e do mundo, onde os cidadãos vivem uma constante guerra entre as autoridades do Estado e das ruas, sem saber quem os protege de verdade e ainda tendo que lutar pelo próprio rabo. Outra coisa brilhante do filme é a representatividade em seu elenco, que, bem, embora ainda se encaixe naquele tipo de representatividade fraca, onde o diretor encaixa negros, latinos ou asiáticos no papel de coadjuvantes, alívios cômicos, porradeiros ou mártires só pra dizer que encaixou. Mano, duvido tu não gritar uma vez falando: "OLHA COMO ESSE MEXICANO FILHO DA PUTA É FODA" ou "PUTA MERDA OLHA A NEGONA QUE BADASS" enquanto as cenas se desenrolam. E que cenas, viu? A edição e a equipe de Arte desse filme teve um trabalho digna de Oscar ao trazer mortes absurdamentes chocantes e não poupar nas fantasias fodas de Halloween. A cena da tiazinha no banco é absurda, a que mais demonstra como DeMonarco trabalha bem em deixar claro que qualquer um tem um monstro horrível dentro de si próprio e como seria o mundo sem leis. Sobre a atuação, nada de especial. Na real o elenco é 98% who e ainda assim fazem um trabalho bem foda. No fim, The Purge 3: Election Year, considerado pelos fãs o melhor da franquia, é uma exceção no mundo do terror: ele é bom e tem história. Ah, e quando eu falo terror eu não quero dizer que tem um jumpscare em cada 5 minutos, e sim que ele é tenso e assusta, mas pode ser encaixado como um filme de suspense também.
"Não sei. Eu estava pensando em waffles e xoxotas.".
Direção: 9.
Enredo: 8.
Proposta: 10.
Atuação: 6.
Trilha Sonora: indiferente.
Arte: 10.
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MÉDIA: 8,6pts.
This review of The Purge: Election Year (2016) was written by Guylherme L on 08 Oct 2016.
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