Review of The Purple Rose of Cairo (1985) by Gustavo H — 29 Jun 2010
Declaração de amor doce-amarga à Sétima Arte, transbordante de originalidade. Allen, no auge, proporcionou um daqueles casos preciosos de tão infrequentes: uma fita que transporta a pessoa a um estado elevado de espírito, uma viagem apaixonante a outro mundo, como num sonho agradável.
A base é o deslocamento existencial de Cecilia (Farrow, comovente), que se enfurna numa sala de cinema, consumindo aquela magia como válvula de escape da melancolia definidora de seu cotidiano cinzento (era da Depressão), investindo suas emoções nas imagens projetadas na tela para preencher o vazio deixado pela carência afetiva (é casada com um brutamontes indiferente).
Ao término dos deliciosos 82 minutos de pequenas surpresas e puro encantamento, com o coração partido, o público terá descoberto uma subestimada, porém autêntica, obra-prima alleniana.
This review of The Purple Rose of Cairo (1985) was written by Gustavo H on 29 Jun 2010.
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