Review of La Dolce Vita (1960) by Andrew I — 08 Dec 2009
Deve ser assistido simplesmente porque consegue prender sua atenção do momento que você o coloca no aparelho de DVD (no meu caso 23:30 de um sábado) até o momento que acaba (03:30 de um domindo de manhã).
Mastroiani consegue construir o personagem Marcelo, o famigerado repórter de fofocas, de forma a tornaro espectador não apenas um companheiro do boêmio, conforme ele anda, bebe e transa, na noite de Roma nos anos 50, mas um cúmplice.
Isso porque em nenhum momento é perdida a dimensão trágica de um estilo de vida conhecido tão somente por girar em torno do prazer imediato. Nós nos deprimimos com o personagem enquanto ele desce em espiral, afrontado por uma vida sem perspectivas e, em decorrênia, sem sentido.
Mas não se enganem, esse não é um filme down. É Fellini pelo amor de Deus! O cara que nos mostrou o quão engraçada era a Itália fasista, em Amarcord. Seu mérito é exatamente retratar em toda sua complexidade a Doce Vida: diversão, paixão, tristeza e frustração.
Dica: prestem atenção na história do intelectual pai de família. Não tanto pelo ator, que é "mais ou menos", mas pelos rumo inesperado que toma sua existência diante de uma simples constatação filosófica.
Contraponto moral ao personagem de Mastroiani, o dele aparece inclusive poucas vezes, mas são o suficiente para atirar o espectador em terra, bem no momento que este se deixa seduzir por uma sociedade como a retratada, capaz de desprezar os mais fundamentais dos valores: a decência humana.
This review of La Dolce Vita (1960) was written by Andrew I on 08 Dec 2009.
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