Review of Death in Venice (1971) by Vítor S — 05 Apr 2008
Se, em "Lolita", o amor platônico do homem de meia-idade pela menina que dá nome ao filme tem caráter sexual, aqui, em "Morte em Veneza", a obsessão do personagem do Bogarde pelo garoto Tadzio é de natureza ambígua, denotando um apreço pela perfeição estética como auge artístico.
O filme narra a estada de Gustav, personagem do D. Bogarde, por Veneza, numa tentativa de relaxar após alguns eventos estressantes em sua carreira como músico.
Em vez de conseguir encontrar a calmaria, Gustav se vê obcecado pela figura de Tadzio, um garoto na puberdade que se encontra com sua família no mesmo hotel em que se hospeda o protagonista.
A atração pela beleza do menino cresce de forma incontrolável, de forma a assombrar Gustav, que tenta evitar esses sentimentos.
Ao mesmo tempo, como que numa relação apocalíptica e moralista de crime e castigo, a cidade de Veneza vai sendo infestada por uma peste mortal.
O mais impressionante no filme é, sem dúvidas, a forma contemplativa e poética como tudo é retratado. A narrativa, a partir do personagem do Bogarde, é quase silenciosa, agonizante e permeada por uma trilha perfeita. O protagonista parece tão irradiado pela beleza do Tadzio, que não se sabe ao certo se o menino corresponde levemente aos olhares ou se é apenas uma visão corrompida da realidade.
Assim como em "Fale com Ela", "Morte em Veneza" tem como grande trunfo a confusão moral e visual que deixa no ar a respeito da pureza dos sentimentos retratados.
This review of Death in Venice (1971) was written by Vítor S on 05 Apr 2008.
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