Cinafilm has over 5 million movie reviews and counting …
Sitemap
Search

Last updated: 10 Jun 2026 at 07:40 UTC

Back to movie details

Review of by Rui A — 08 Aug 2013

Share
Tweet

«O Grande Salto» é uma pérola mais ou menos bem escondida na filmografia dos irmãos Coen. É um filme divertido, simples e com algumas cenas repletas de imaginação e de magia cinematográfica, como a dupla de realizadores/argumentistas nunca tinham feito antes, misturando uma( música grandiosa (e que me fez recordar os clássicos natalícios - ou pelo menos, a banda sonora de muitos deles - pelo seu tom quase "doce" e mágico) com uma história que envolve o passado e o futuro... ou talvez não. Pelo menos é a ideia que o monólogo inicial, proferido em voz-off por uma das personagens secundárias do filme (que acabará por ser, de uma maneira interessante, um dos pontos-chave da trama), nos pretende transmitir, tal como o slogan da Hundsucker Industries (a empresa onde se desenrola o filme), "O Futuro é Agora". Mas depois percebemos a pouco e pouco como «O Grande Salto» é um filme parvo. Um filme parvo que, em dadas alturas, atinge o nível do ridiculamente parvo. Mas que não deixa de ser encantador. O IMDb e a Wikipédia classifica esta comédia dentro do género dos filmes "screwball", que tendem a cair para as piadas mais simples e básicas e, na maior parte dos casos, sem graça. Só que esta obra é parva no bom sentido. A parvoíce de «O Grande Salto» está num nível, para mim, de qualidade como está o non-sense revolucionário dos Monty Python, e que tanto me faz rir. Não sendo um filme propriamente hilariante, «O Grande Salto» tem as emoções no sítio certo, provocando risos e sorrisos com uma história com algo de inteligência e, também, algo de vulgar - a estrutura é muito normal, e sabemos desde o princípio que (e espero que isto não seja nenhum spoiler...?) tudo vai acabar bem e adivinhamos, logo no primeiro momento em que a miúda do filme aparece, que o protagonista (Tim Robbins) vai ficar com ela. Mas esta simplicidade e normalidade é apenas um pretexto para os Coen fazerem um filme à la Coen, e que foi o primeiro projeto de maior orçamento feito pelos Irmãos. A narrativa vai buscar os moldes aos clássicos americanos, que contavam histórias com moral e que pretendiam ensinar alguma coisa aos espectadores. E a moral é simples: a felicidade não se compra, nem que tenhamos todo o dinheiro do mundo, e esse vil metal, na maior parte das vezes, só acaba por trazer aborrecimentos a quem tem de tratar dele em grandes quantidades (e sim, esta expressão pode ter vários sentidos e não estou a falar em desfalques nos bancos! Isto tem a ver mais com falcatruas económicas empresariais). «O Grande Salto» é um filme que, criticando e satirizando a burocracia e o mundo da economia e da gestão e apelando à simplicidade dos simples, torna-se uma boa proposta de verão, e também, de comédia inteligente e, ao mesmo tempo, com muita parvoíce, e que possui, ainda, um toque de humor em jeito de desenho animado.

«O Grande Salto» mostra uma estratégia de um grupo de empresários para manterem a Hudsucker após a morte (bizarra) do seu fundador. E Massburger (Paul Newman), um inescrupuloso homem de negócios, dá a ideia de colocarem um idiota como diretor dos destinos da empresa para este a arruinar e, assim, as ações da empresa poderem ser compradas a baixo preço após a ruína, evitando que a marca caia nas mãos de qualquer cidadão, intenções essas a do senhor Hudsucker. É assim que entra na história Norville Barnes (Robbins), um jovem à procura de trabalho que será o bode expiatório da Hudsucker, mas que, com as suas invenções (uma em particular - uma pista está no poster do filme), irá virar os planos dos empresários do avesso. Contudo, Norville acabará por não conseguir controlar a sua nova vida empresarial, e os resultados podem ser dramáticos. Aliás, a sua criatividade e a sua vida pessoal, tal como em tantos casos que a vida real nos mostrou, começam a ficar afetados pela cor do dinheiro... «O Grande Salto» é um caricato conto social que nos quer ensinar algo sobre a vida que está lá fora e de todos os perigos e idiotices que a circundam. O filme tem uma estrutura muito habitual em termos de forma mas é uma delícia de visionamento, principalmente quando a história ganha uns certos contornos mágicos e com o seu quê de encanto e de fantasia, culminando num final com muito de nonsense. Mas não se pode estar com expectativas para se ver uma comédia destas, e especialmente, quando é feita pelos Irmãos Coen (aliás, "expectativa" é uma palavra que pode destruir qualquer peça cultural e artística que existe ou está por vir ao Mundo). O espectador tem de se deixar levar pela simplicidade de «O Grande Salto» e pela simpatia e empatia que as personagens nos transmitem, apesar da caricatura constante que é feita com algumas personagens e situações. Não é o mais fascinante filme dos Coen, nem precisa de o ser para mostrar-se, aos nossos olhos, como um filme singular na carreira dos dois cineastas.

This review of The Hudsucker Proxy (1994) was written by on 08 Aug 2013.

The Hudsucker Proxy has generally received positive reviews.

Was this review helpful?

Yes
No

More Reviews of The Hudsucker Proxy

More reviews of this movie

Reviews of Similar Movies

More Reviews

Share This Page

Share
Tweet

Popular Movies Right Now

Movies You Viewed Recently

Get social with CinafilmFollow us for reviews of the latest moviesCinafilm - TwitterCinafilm - PinterestCinafilm - RSS