Review of Red, White & Royal Blue (2023) by Alanpotter17 — 15 Aug 2023
Mesmo contando a história de um romance que nada tem de inovador (inclusive é muito clichê), o fato de serem dois rapazes e ainda as circunstâncias referentes ao status social de ambos (um é príncipe na Inglaterra e o outro é filho da presidente dos EUA) torna o filme com um conteúdo diferenciado, mesmo que ganhe contornos de contos de fadas, pecando na verossimilhança.
Os dois são um fofo em cena, mesmo que estejam com uma pegada meio padrão demais para filmes recentes do gênero. Mas não havia como ser diferente, já que ocupam espaços de poder na sociedade que lhes permitiram ser assim.
O bom do filme é que não enrola. O primeiro beijo acontece até mesmo de forma abrupta comparado a várias produções do gênero. Aliás, há um trunfo aqui que é preciso destacar, dado que os personagens são conscientes da sua sexualidade, portanto, o drama ara autoaceitação não é pesado e problemático nesta obra. Pesa mais a reponsabilidade social que carregam nas costas.
É um filme que se permite também levantar bandeiras, como na fala da mãe, do pai, da amiga. É tudo com a cara do século XXI, para o bem e para o mal, num contexto cada vez menos hostil a sexualidades dissidentes a um ambiente do politicamente correto, com direito a falas simpáticas ao gênero neutro, por exemplo.
É como se o filme fosse plastificado a todo o instante, como um manual típico de boas vibrações para o público queer. E se por um lado é super bem vindo, por outro acaba derrapando por não fornecer algo mais visceral. Ao terminar a projeção, não fica a sensação de paralelo ao mundo real, passa longe disso.
Ainda assim o filme é lotado de acertos, da edição não cansativa (as duas horas passam voando), à escolha dos personagens, todos parecem leves e se divertir. Gostei do jornalista trapaceiro (onde há gay não há paz), o que de certa forma desconstroi que todo LGBT é necessariamente um santo em filmes assim.
Mas quem rouba a cena, claro, é Uma Thurman como uma presidente que a princípio parecia mais fechada, mas a personagem conseguiu segurar o rojão dessa mudança repentina e entregar um personagem chave nos momentos de tensão da obra, que só não foi melhor devido ao roteiro limitado.
É sempre bom ver personagens LGBTQIAPN+ serem retratados para além do estigma a que são cometidos. Centrando-se nos problemas relacionados ao compromisso social de cada um, é uma produção que desloca o peso da sexualidade (embora obviamente ela exista muito forte) e foque em outros elementos que são tão interessantes quanto.
No geral, é uma boa surpresa para um ano, em média, fraco em produções com personagens gays.
This review of Red, White & Royal Blue (2023) was written by Alanpotter17 on 15 Aug 2023.
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