Review of Prisoners (2013) by Peter W — 10 Jan 2017
Há um bom tempo vagando pela minha listinha pessoal, Os Suspeitos (2013) de Denis Villanueve é o clássico filme de suspense, ou seja, aquele que realmente promove uma tensão para o espectador e o deixa curioso sobre o que vem a seguir. Além disso, ainda tem em sua vantagem ser um filme de mistério, ou seja, algo que dá mais curiosidade ainda sobre o desfecho, e repleto de simbologias a começar pela cena inicial do longa. Com um elenco de peso, Os Suspeitos segue a partir de uma caça. O caçador é Keller Dover (Hugh Jackman), um nobre homem tipicamente americano, e sim, no jeito mais estereotipado e brutal da palavra: orgulhoso, cristão, teimoso e que defenderia sua pátria, no caso, família até o inferno. É durante o dia de Ação de Graças que, ao passar o dia comemorando com sua família na casa de seu amigo Franklin Birch (Terrence Howard), a sua espoleta filha mais nova Anna (Erin Gerasimovich) e a amiga Joy Birch (Kyla-Drew Simmons) somem sem deixar vestígios. A princípio ele e sua mulher Gracie (Maria Bello) acham que elas estavam com Ralph (Dylan Minnette), o irmão mais velho, porém a história é muito mais profunda e difícil de se resolver. Depois de procurarem muito por elas, o garoto se lembra que ao levar elas para um passeio, brincaram muito próximas a uma van que de longe parecia-se estacionada, mas que ao se aproximarem mais perceberam que havia uma pessoa lá dentro. É a partir do BO feito pela família Dover que surgem dois tipos de "heróis" no filme. Detetive Loki (interpretado pelo meu amor Jake Gyllenhaal) era o oficial da polícia mais próximo ao local de onde estava localizado a van, e em sua abordagem ao elemento encontra Alex Jones (Paul Dano), um jovem com uma mente infantilizada, a inteligência de um garoto de 10 anos. Alex é estranho, tímido e parece muito um molestador de crianças tendo em vista sua mente infantil, porém é inofensivo para a polícia. Isso deixa Keller, o pai de uma das meninas, putaraço e logo ele se revolta contra Loki e a polícia, sequestrando Alex e dando início a um interrogatório mais pesado que os treinos do ator que o interpreta, cheio de tortura e carpintaria. E é essa a dúvida que permeia a cabeça do espectador: as ações de Keller são justas? Necessário não é. O filme foca muito também na questão religiosa, tendo em visto que um de seus heróis é totalmente cristão - e é o mais hardcore - recitando até mesmo versos do Pai Nosso antes de cometer alguma atrocidade - é interessante notar uma cena onde ele está prestes a cometer mais uma atitude violenta com Alex, quando em sua oração ele não consegue dizer "(...) assim como nós perdoamos os nossos devedores" - e o outro é notavelmente um personagem obscuro, desde as suas tatuagens ao seu próprio nome. Loki, o astuto deus trapaceiro da mitologia nórdica é inteligente, calculista e age como um antiherói, além de ser também um metamorfo. O detetive Loki demonstra muito da personalidade do deus, talvez só não demonstre a parte que faz o deus legal (metamorfo e filhodaputa), e se contrapõe à imagem deturpadamente cristã que Keller representa. Em suas tatuagens, há outros tipos de símbolos pagãos e maçônicos, enfatizando a obscuridade que define Loki. E então fica a dúvida: no fim, quem era o herói dá história? O cristão que ultrapassou seus limites ao lidar com o desaparecimento de sua filha ou o detetive workaholic empenhado em salvar vidas? É uma questão ambígua. Para uns os atos de Keller são totalmente justificáveis, mas para outros eles extrapolam e muito a linha dos Direitos Humanos. Somos tão acostumados com associar a figura do obscuro como perversa e maligna que podemos deduzir que Loki é um trapaceiro que nem seu xará nórdico e que armou tudo antes mesmo de ver o filme, mas em minha opinião não consigo ver outro herói no filme sem ser ele. Keller não foi um herói, ele foi um pai dedicado a proteger seus filhos. Seria um herói se não tivesse ficado louco, mas quem sou eu pra definir qual o limite de um pai dedicado?
Se você gosta de um bom suspense, um filme mais cabeça como um labirinto sem sentido e que no final tudo começa a se esclarecer, não tem outro filme melhor que Os Suspeitos.
This review of Prisoners (2013) was written by Peter W on 10 Jan 2017.
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