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Review of by Carlos M — 05 Oct 2015

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Em 1999, o ótimo filme Piratas do Vale do Silício veio para contar a curiosa história de uma tal empresa de tecnologia chamada Apple, e como seu fundador Steve Jobs e seu concorrente Bill Gates haviam usado de práticas imorais e questionáveis para deixarem a pobreza e construírem fortunas bilionárias. E tudo isso anos antes da apresentação do iPod, do iPhone e do iPad, criações que viriam a mudar a face da tecnologia e transformariam a Apple na empresa mais valiosas do planeta.

Coco antes de Chanel praticamente bebe desta mesma fonte, e apresenta aqui a história de Gabrielle 'Coco' Chanel antes dela se tornar uma figura mítica do mundo da moda e influenciar a revolução na imagem das mulheres em sua época. Já que foi ela a responsável por abicar dos vestidos longos e tão apertados para usar roupas largas e confortáveis. Ela até mesmo usava calças, o que na época era tão incontroversamente masculino quanto um bigode.

Mas ao contrário do que se pode pressupor, Chanel não o fez num espirito revolucionário, mas tão apenas devido às suas próprias preferencias estilísticas. E o que este filme apresenta, é o contexto que a levou a libertar-se desta forma.

Órfã de mãe, Gabrielle foi deixada por seu pai, ainda criança, em um orfanato. Mas o filme não perde muito tempo com isto, e em uma estratégica passagem de tempo, já a vemos adulta, cantando e dançando em um cabaré com sua irmã Adrienne. A música em questão, 'Qui qu'a vu Coco', sobre a busca de um cão perdido chamado Coco, teria sido a origem de seu mundialmente notório apelido.

Mas Gabrielle não gostava desta versão, e a partir de então, diria que Coco era um apelido inventado por seu pai. Não seu verdadeiro pai, é claro, já que em seu mundo fantasioso, ter sido abandonada não seria muito elegante. Chanel preferia contar que havia sido deixada sob os cuidados de tias cruéis, enquanto seu pai fictício teria ido à América reclamar uma herança.

E inventar uma história pessoal menos crua, não era apenas uma mentira por si só, mas uma forma dela própria enxergar-se com mais seriedade. Não surpreende, então, que a jovem Coco tenha ousadamente ido atrás do nobre abastado Etienne Balsan (Benoît Poelvoorde), com quem manteve um rápido relacionamento enquanto ele passava uma temporada na cidade, para passar então a viver em seu palacete como sua concubina, numa óbvia relação superficial de troca de interesses.

Foi neste período que Coco iniciou seu hobby de fabricar chapéus, e começou um tórrido romance com o inglês Arthur Capel (Alessandro Nivola), sócio de Balsan, que a faria abdicar de casamentos e dependências ao descobrir que ele era casado.

Emprestando dinheiro de Capel, com quem continuou a manter um relacionamento amoroso, no que talvez tenha sido seu primeiro e único verdadeiro amor, Gabrielle se muda para Paris e abre sua primeira loja de chapéus. Ela parece não se importar em ser a amante de um homem casado, já que como demonstrado em um diálogo expositivo, ambos acreditam que a instituição do casamento seja mera convenção social.

E por mais que seja evidente a mudança de astral da personagem ao encontrar sua tão desejada liberdade, é um tanto irônico perceber que o quanto ela dependia de Arthur, não somente financeiramente, mas principalmente emocionalmente. E quando ele acaba morrendo em um acidente de carro, ela entra em um luto que a leva a focar na criação de sua primeira coleção de roupas, iniciando então seu império.

A premissa, desta forma, é excelente, trazendo uma história rica e dramática o bastante para funcionar em vários níveis. Entretanto, devido à sua irritante narrativa episódica, o filme jamais consegue transmitir uma real passagem de tempo. É basicamente impossível perceber se transcorram semanas, meses ou anos entre uma sequência de outra. Também, por alguma razão, o filme parece não se importar em dizer que Adrienne Chanel na verdade era tia de Gabrielle, e não sua irmã, como é dito constantemente durante a projeção.

De qualquer forma, o filme é eficaz em mostrar de relance inspirações importantes de Chanel, como vestir calças por não conseguir cavalgar de saias, e o sorriso sutil ao ver um bando de marinheiros e usar o uniforme listrado azul e branco deles como inspiração para ela própria.

Tecnicamente também é competente, entregando uma eficaz direção de arte e uma fotografia que aprofunda o drama com sombras. Mas o grande destaque fica com Audrey Tautou, totalmente irresistível como Chanel. E é difícil imaginar um papel mais perfeito para a atriz.

Coco antes de Chanel, assim, é um filme falho, mas que respeita seu próprio título, e de fato sequer ouvimos o nome Chanel até praticamente o derradeiro subir dos créditos finais. E manter esta magia não é de todo ruim.

Seria difícil azedar tudo o que foi visto ao navegar em polêmicas como o público relacionamento de Coco com um general nazista durante a Segunda Guerra Mundial, e o fato dela ter usado da ideologia nazista para tentar passar a perna em seus sócios judeus e assumir a posse da Parfums Chanel, que fabricava o famoso Chanel Nº 5.

Dizem que ela até teria tentado usar sua influência com o primeiro-ministro britânico para aproximá-lo dos ideais nazistas. Mas isso, evidentemente, é melhor deixar para outro filme.

This review of Coco Before Chanel (2009) was written by on 05 Oct 2015.

Coco Before Chanel has generally received positive reviews.

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By on 15 Mar 2011

So it's a satire…

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