Review of Call Northside 777 (1948) by Alan W — 11 May 2008
Baseado numa história real ? a condenação a 99 anos de prisão de Joseph Majczek e Theodore Marcin e pelo assassinato de um polícia? Call Northside 777 é um thriller de investigação criminal clean, sem passos em falso, num estilo ambientado entre o noir e o realismo semi-documentarista norte americano de finais dos anos 40 (do qual The House of 92th Street do mesmo autor, ou Man on a String, de André de Toth, são exemplos).
Após quase uma quinzena de anos detido, a mãe de um dos condenados coloca um anuncio no jornal oferencendo cinco mil dólares de recompensa pela captura do verdadeiro assassino. Tal desperta a atenção de um dos principais jornais da cidade. O seu chefe ordena a um dos seus jornalistas, McNeal (Patrick Stewart) que vá saber mais sobre o anúncio. Depois é o que se espera: McNeal vai sendo cada vez mais sensibilizado para o caso pelos familiares até que põe de lado a convição na culpa do condenado e se despõe a ajudar.
Call Northside 777 é como uma casinha humilde no seu aspecto mas acolhedora, na qual somos bem recebidos. E não falo de humildade por falta de meios ou uma estética descuidada (aliás um dos seus pontos fortes é precisamente a fotografia de Joe MacDonald, que se tinha celebrizado em Panic in the Streets de Elia Kazan). Falo sim da realidade do caso tão despida de intrincados, de que a ficção é ávida. A simplicidade de métodos e dos passos dados apenas fortalecem a crítica à corrupção do sistema judicial da época. Mas também permitem a Hathaway `perder` algum tempo em certas passos da investigação adensando os seus intervenientes, falando da culpa ou da angústia de estar preso injustamente (veja-se a magistral sequência em que Frank é submetido ao detector de mentiras e do lado de fora da sala McNeal e outros polícias o vêem, nervoso apesar de inocente.
Apesar de ser uma discussão algo injusta convém notar o envelhecimento de Northside 777: a minúcia da explicação do uso do detector de mentiras (encabeçada pelo próprio inventor do aparelho) ou o clímax final dependente de uma simples e desnecessária ampliação fotográfica.
Olhando para as milhentas obras que se fizeram com este esquema de investigação: recentemente, intrincando ad nauseum o problema em causa, ou desviando-se para outros rodriguinhos, salta à vista como, por vezes, a simplicidade de processos alheada a um lead hero convincente chegam para um filme coerente. É merecido o destaque a Stewart que passava de um homem light e ameno para o `provocador` e o `obsessivo` das obras de Hitch ou Preminger.
Quanto a Hathaway apetece dizer que embora nunca tenha chegado a um nível de alguns seus colegas de profissão (como Preminger, por exemplo), ninguém o poderá acusar de falta de persistência. Interiorizando as palavras da mãe de Frank: `if no one comes to collect the 5000 i?ll work eleven more years and raise 10000`.
Por fim, uma palavra para o facto deste Call Northside 777 também querer falar da crescente criminalidade em Chicago, motivada em parte pela Lei Seca de 1932, e da lei da mediatização ditada pelos jornais, pela qual um inocente na prisão é tão ou mais valioso que um culpado nas ruas.
This review of Call Northside 777 (1948) was written by Alan W on 11 May 2008.
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