Review of Viridiana (1962) by Gustavo H — 29 Oct 2010
Fica impressa na memória - mais do que os tragicômicos descalabros cometidos pelos incorrigíveis maltrapilhos - a altivez moral da noviça Viridiana (Pinal).
Ela se recusa a dedicar uma pequena dose de calor humano ao próprio tio (Fernando Rey); contudo, depois de eventos desairosos a aproximá-los, decide acolher mendigos, prostitutas, leprosos e vagabundos das ruas, arrebanhando-os para morar consigo, na esperança de fazê-los trabalhar, de "corrigi-los".
Perspicaz, Buñuel escancara serenamente e sem pudores a hipocrisia autocomiserativa, a culpa - ao invés de solidariedade genuína - donde nasce o ímpeto de caridade da protagonista idealista e ingênua. Suas convicções, é claro, serão estilhaçadas uma a uma pelos irrefreáveis instintos da natureza humana.
This review of Viridiana (1962) was written by Gustavo H on 29 Oct 2010.
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