Review of Till (2022) by Alanpotter17 — 18 Jun 2023
É impressionante que mesmo com um tema já visto várias vezes, a relevância social de abordar o racismo, ainda mais partindo de uma história real, se mostra como urgente. E tão é assim que, passados 67 anos do caso do garoto que foi linchado, em 2022 a lei anti-linchamento foi aprovada, mostrando que não se trata de mero revisionismo.
Ainda assim, o filme não escapa da burocracia: apresentação delicada dos personagens (em especial sua relação com a mãe), o olhar já gelado dela ao se despedir do filho quando ele parte para o Mississipi, o lugar provinciano, passando com poucos quadros até a cena em que o rapaz comete a besteira, na inocência, de assobiar para uma jovem branca.
Tudo muito redondinho, com quadros que não alcançam aspiração nenhuma.
Daí o roteiro foca no que há de melhor: na reação da mãe e seus desdobramentos sobre ela para o caso. A cena em que ela conversa com o irmão, que presenciou o garoto sendo levado para o abate, é de uma preciosidade e sensibilidade tamanha, de modo que o filme acertadamente foca em como a mãe teve que lidar com uma situação que, de particular e familiar, ganhou repercussão nacional, tornou-se símbolo de ativismo público. É a politização das narrativas identitárias muito forte aqui, e o modo como o filme trabalhou esse elemento e a personagem da mãe, maestralmente interpretada por Daniellle Deadwyler, que consegue se sobressair a qualquer interpretação que tenha no filme, a cada aparição e quadro. Nem a participação de Whoopy Goldberg é tão encantadora quanto acompanhar a mãe se descontruindo e desolada.
O filme então tem grande méritos pela atuação, é o que lhe resta para suportar o peso da direção e do roteiro morno. Os diálogos são maniqueístas ao extremo, para ter o tom sempre didático em defesa da ideia antirracista. Não que isso seja ruim, mas acredito que a opção pela verossimilhança seria um soco maior no estômago.
Entretanto, em cenas cruciais dá pra sentir um capricho no filme em refinar a mensagem, o que garante uma boa sessão e com doses cavalares de realidade gritando na tela.
This review of Till (2022) was written by Alanpotter17 on 18 Jun 2023.
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