Review of They Live (1988) by Miguel A — 29 Dec 2013
Era possível desconsiderar "They Live" por toda a inspiração que vai buscar a formatos que supostamente servem só mesmo para entreter os putos e os nerds, como é o caso do sci-fi paranóico da década de 50, o série-b sensacionalista ou os comics de destruição por todo o lado.
Mas Carpenter é um verdadeiro dignificador de todos os géneros bastardos e "They Live" ainda hoje será um dos filmes que melhor consegue representar um cenário de Terceira Guerra Mundial.
Cenário esse que, apesar de totalmente alucinado, não foge muito à realidade ao representar a Terceira Grande Guerra como uma batalha de propaganda, informação, lavagem cerebral e inteligência. Talvez pouca inteligência.
"They Live" vai ao limite de tudo o que tem a provar e, enquanto aponta o dedo do meio à subversão das grandes indústrias económicas e políticas, também ele próprio é subverso ao escolher um herói de acção que, a partir do momento em que descobre o inimigo, começa a imitá-lo e a falar através de slogans ("I'm here to kick ass and chew bubblegum and I'm all out of bubblegum").
Leva isso a que a partir de certa altura "They Live" nos deixe encurralados num ponto em que tudo (inclusive os destinos do universo) parece estar condenado à abundância de estupidez nas ruas, sendo que essa situação é perigosamente irreversível.
Contudo, Carpenter diverte-se na cara de toda essa desgraça acéfala e isso percebe-se na cena em que, aproveitando-se das habilidades de wrestler de Roddy Piper, mete à porrada os dois únicos personagens que parecem mais ou menos capazes de salvar o mundo.
"They Live", tal como "Repo Man" antes dele, é genuinamente punk porque desconfia de tudo.
This review of They Live (1988) was written by Miguel A on 29 Dec 2013.
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