Review of The Act of Killing (2012) by Katy C — 11 Mar 2014
"Did the people I tortured feel the way I do here?".
Nomeado ao Oscar de Melhor Documentário, The Act of Killing é uma confissão, na primeira pessoa, dos líderes sanguinários do movimento paramilitar da Indonésia que, no decorrer do ano de 1965 (e 1966), assassinaram com as suas próprias mãos centenas de chineses comunistas pelo simples facto destes o serem. Volvidas mais de quatro décadas, uma equipa de cineastas anónimos, liderada pelo americano Joshua Oppenheimer, conseguiu reunir alguns desses líderes e convencê-los a re-encenarem os seus actos de tortura e opressão sobre os inocentes.
E se se pensava que estes líderes estariam agora presos, pois a verdade é que são como heróis no seu país, onde uma corrupção desavergonhada passeia nas ruas.
O documentário é muito frontal na sua aproximação à crueza dos homícidios e isso poderá deixar alguns espectadores mais desconfortáveis.
Contudo, a faceta que mais o distingue é sem dúvida a proximidade e intimidade que nos são oferecidas em relação aos "gangsters".
Assistimos ao luxo confortável em que se deleitam, à imunidade de que gozam quando chantageiam pessoas na rua... tudo em prol de uma Indonésia que apregoam tornar-se a cada dia que passa mais fortalecida.
A versão extendida de The Act of Killing conta ainda com alguns momentos mais artísticos, realçando o contraste entre a beleza das paisagens e o horror dos massacres, embora esta extensão seja por vezes aborrecida e monótona.
Longe do tipo de documentário que tem como objectivo empolgar e suscitar curiosidade em quem os vê, The Act of Killing está mais próximo de uma peça de arte que se aprecia em silêncio.
This review of The Act of Killing (2012) was written by Katy C on 11 Mar 2014.
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