Review of Skyscraper (2018) by Francisco L — 12 Sep 2018
Ainda que com incríveis efeitos visuais, "Arranha-Céus" não consegue "arranhar" as emoções do espectador.
Dwayne Johnson tem sido protagonista de filmes incríveis de ação, desde alguns da saga "Velocidade Furiosa" até ao seu sucesso mais recente "Jumanji- Bem-vindos à Selva", mas será "Arranha-Céus" mais uma conquista sua? Absolutamente que não! Rawson Marshall Thurber, realizador e argumentista do filme, demonstra uma elevada preocupação em transformar o que poderia ter uma história sólida e menos cliché num espetáculo de efeitos visuais, no qual o músculo tem prioridade sobre o cérebro.
O filme conta a história de Will Ford que, após ser encarregue da segurança de um arranha-céus, é incriminado, sendo culpabilizado por um incêndio que se vai alastrando de andar para andar no mesmo. Enquanto tenta resgatar a sua família que está encurralada pelo incêndio, Will tem ainda de lidar com criminosos perigosos que pretendem roubar um dispositivo que se encontra escondido no edifício.
Um dos pontos fracos do filme é a sua história extremamente superficial que impede as suas personagens de desenvolver personalidade, impossibilitando o espetador de se identificar ou criar sequer uma conexão com as mesmas. Para além disso, a história peca ainda pelo motivo extremamente forçado que nos apresenta para justificar as ações dos criminosos, sendo-nos apenas transmitida a ideia que estes procuram um dispositivo dentro do edifício sem mais informações acerca deste, ficando inúmeras perguntas no ar como: "O que faz o dispositivo?", "Porque está no arranha-céus?", "O que pretendem fazer com ele?"... O dispositivo torna-se assim um dos maiores MacGuffins dos últimos tempos, mas são as consequências da sua procura realizada pelos vilões que permitem o desenrolar do enredo do filme, o que parece um pouco ridículo tendo em conta o elevado grau de insignificância do objeto perante o espectador.
No que toca ao elenco, apenas dois atores devem ser destacados, o rei dos blockbusters Dwayne Johnson, e a eterna scream queen Neve Campbell. Dwayne Johnson entrega-se fielmente ao papel, interpretando um Will corajoso e impulsivo, demonstrando um perfil a que o espetador já se habituou a observar no ator, carismático e sem descartar a confiança, coragem, perspicácia e condescendência. Já Neve Campbell, que interpreta Sarah a mulher de Will, tem também um bom desempenho, o que é difícil devido ao pouco aprofundamento da história da sua personagem, proporcionando cenas de ação que por vezes poderão causar nostalgia aos fans da saga "Gritos", a qual protagonizou.
Os efeitos visuais são a chave da masmorra que o filme se tornou. Não há nada a apontar quanto aos mesmos, que conjugados com uma bem jogada trilha sonora ajudam a tornar o filme um pouco mais crível, mas que ainda assim não o conseguem salvar da mediocridade, embora sejam suficientes para o tornar no blockbuster esperado.
O filme contém ainda inúmeros clichés típicos dos filmes de ação, como saltos impossíveis, crianças a comentar o quão nojento foi o beijo dos pais ou o timing perfeito do herói que aparece sempre ao último momento pronto para evitar que ocorra uma tragédia. O enredo, embora previsível, não tem muitas falhas, estando bem organizado de forma a conseguir manter o espetador sempre interessado, mas também seria de estranhar caso tivesse, dada a pouca profundidade com que tudo é abordado.
A cena mais bem conseguida do filme é sem dúvida aquela em que inúmeras máquinas, que funcionam como espécie de espelho, sobem do chão e em seguida se desenrola o confronto entre Will e os seus antagonistas, enquanto este procura pela sua filha. Nesta cena, o realizador consegue, pela primeira vez em todo o filme, trazer suspense digno ao tamanho do grande ecrã, conciliando uma aliciante cena de ação a bons efeitos visuais e sonoros, embora o desfecho da mesma não surpreenda ninguém.
"Arranha-Céus" é um filme que entretém com bons efeitos visuais, mas é só mesmo isso, contendo imensas tentativas falhadas de ter piada e nunca conseguindo extrair um pingo de emoção do espetador, devido à sua superficialidade e previsibilidade, cujo propósito é financeiro e não qualitativo e isso é algo que tem o meu total desprezo nos dias de hoje.
This review of Skyscraper (2018) was written by Francisco L on 12 Sep 2018.
Skyscraper has generally received mixed reviews.
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