Review of Medusa (2022) by Alanpotter17 — 28 Jun 2023
A realidade, muitas vezes, é muito mais assustadora do que a ficção, os seres humanos conseguem despertar monstros ocultos em seu âmago e são capazes de grandes atrocidades. "Medusa" mostra o monstro criado pelo fanatismo religioso, em especial o discurso misógino e moralista posto às mulheres.
Nas primeiras cenas, vemos que o filme se aproveita da atmosfera de controle social mais ligada ao panóptico, isto é, uma sociedade que cria estruturas de controle e submissão que os indivíduos estão acostumados a reverenciar, e até mesmo a valorizar.
Assim, a trama se centra nas garotas cristãs e de como elas reagem a prostitutas, por exemplo. Até mesmo a história de violência a uma atriz é narrada, cujo rosto fora desfigurado, atacando sua feminilidade.
A partir daí, o filme vai focando em diversos detalhes que dialogam com a fé cristã neopentecostal, como o aproveitamento ilícito dos pastores (ligação com encenações e até com a política), o desejo reprimido, mas hipócrita (a cena em que o pastor acaricia a fiel), o arquétipo de mulher e de homem a que os jovens aspiram, com direito a toda aquela repressão sexual envolvida. Isso tudo numa atmosfera de filme de terror, com uma trilha de causar arrepios.
Claro que, involuntariamente, pode causar risos, e também é um filme que padece por conter cenas meio deslocadas entre si, quase desconexas, assumindo um ar meio episódico. As interpretações também não são o forte.
Ainda assim, não deixa de ser um retrato assustador de um Brasil que reverencia discursos militares, religiosos e conservadores, e que atua em corpos dissidentes de forma violenta, seja fisica ou psicologicamente.
This review of Medusa (2022) was written by Alanpotter17 on 28 Jun 2023.
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