Review of Last Days (2004) by Vítor S — 15 May 2008
Infelizmente, eu ainda não assisti a "Paranoid Park", o que faz com que "Last Days" seja o filme mais contemplativo do Van Sant a que eu já assisti. Se essa característica se fazia presente em todos os seus outros filmes de uma forma mais ou menos intensa, aqui ela é ponto de partida. Eu iria além: acho que, para tentar apreciar o filme, é necessário que se saiba isso de antemão e, obviamente, se esteja disposto a uma viagem nada ordinária. Já ciente disso e num dia de pouco sono, dá para apreciar as muitas qualidades do filme.
A trama (?) gira em torno do rock star Blake, personagem do Michael Pitt, que emula o Kurt Cobain, e o seu processo angustiante de deteriorização. À medida que a história vai sendo contada, o personagem vai entrando num processo de escapismo em mão única. O silêncio e o grau de abstração, aliados a essa angústia, chegam a causar grande desconforto em diversos momentos do filme. Fica a sensação de que há duas texturas no filme: uma externa, onde o tédio se manifesta; e outra interna, em que os sentimentos de inadequação, fraqueza, solidão e falta de perspectivas geram aquela desapego com a vida.
A superficial quietude do filme chega a níveis absurdos, em que parece que o diretor esqueceu a câmera ligada em uma paisagem aleatória e mal iluminada. O mesmo ocorre com relação a alguns takes bem compridos de papos aparentemente (ou não) dispensáveis, em que a câmera mal se move ou fica realmente estática.
O grande barato do filme é conseguir notar as sutilezas daquele cotidiano de derrota e a poesia dessa tristeza toda. A cena em que o Blake toca bateria e a câmera vai lentamente se afastando é linda e simples. Outro grande momento é o monólogo travado entre o silencioso Blake e seu amigo, que tenta, em vão, conversar sobre uma composição. O tal amigo se frustra e deixa o Blake sozinho. A partir desse momento, o "Cobain" se sente um pouco menos desconfortável e começa a tocar uma música beeeem Nirvana: obscura, triste e balbuciada.
Como eu disse antes, não se trata de um filme para se ver todos os dias ou para virar um campeão de audiência da Sessão da Tarde. É um filme quieto, pretensioso, contemplativo e - por que não? - entediante em diversos momentos.
This review of Last Days (2004) was written by Vítor S on 15 May 2008.
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