Review of Just Getting Started (2017) by Rodrigo F — 26 Mar 2018
É verdade, o cartaz de Just Getting Started é apenas composto pelos três atores principais, o que não é nada descabido, tendo em conta que não há mais nada de interesse para ver. O experiente realizador e argumentista Ron Shelton volta ao grande ecrã depois da estreia do filme Hollywood Homicide (2003). Com uma pausa de 14 anos, o seu trabalho ficou altamente preguiçoso, e nem o talento à frente da câmara consegue salvar o desastre que é o enredo desta longa-metragem.
A história desta comédia com ação centra-se em Duke Diver (Morgan Freeman), o gerente da Villa Capri, uma comunidade de aposentados em Palm Springs, onde é idolatrado, principalmente pelas mulheres. Mas o seu estatuto é ameaçado quando Leo (Tommy Lee Jones) entra em jogo com segundas intenções, chamando a atenção do género feminino (Glenne Headly, num dos seus últimos papéis; Sheryl Lee Ralph; e Elizabeth Ashley), incluindo a recém-chegada Suzie (Rene Russo). Incomodado com a situação, Duke não tem apenas de se preocupar com a sua vida amorosa, pois não só tem problemas do seu passado por resolver, como a corporação que detém Villa Capri não concorda com os seus métodos de gestão.
A premissa, além de genérica, é desenvolvida sem ritmo e clareza. Com um fundo que pretende demonstrar as dinâmicas de uma comunidade de aposentados, o enredo estende-se até uma rivalidade de dois homens à procura de supremacia emocional e ainda uma vingança que só dispersa ainda mais o filme. O problema não é propriamente a segmentação da narrativa, mas sim o facto de Shelton querer mostrar um pouco de tudo e acabar por não executar nenhuma das ideias de forma consistente.
A localização do filme oferece cor e um ambiente de descontração que condiz com a qualidade relaxada que procura alcançar. Este aspeto, a par com as atuações competentes por parte de atores com múltiplas premiações, é tudo o que o filme oferece em termos de aproveitamento. O diálogo é desprovido de nuances, o que limita as personagens às suas características principais, nunca conseguindo gerar um conflito palpável.
Tudo seria mais perdoável se pelo menos o filme fosse engraçado, já que em termos de ação temos de esperar pelos últimos 20 minutos apenas para sermos desiludidos com uma montagem desastrosa. Para meu receio, nem o público-alvo vai conseguir encontrar humor nesta história corriqueira. No máximo, evocará uns breves sorrisos por simpatia e respeito ao passado destas figuras do cinema.
Duke diz que está apenas a começar, mas sinceramente mais vale ficar por aí. Com o clima natalício como plano de fundo, o projeto de Ron Shelton está longe de captar a alegria e harmonia da quadra, desperdiçando o talento de atores conceituados com material desprovido de perspicácia e substância cómica.
2/10.
This review of Just Getting Started (2017) was written by Rodrigo F on 26 Mar 2018.
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