Review of Event Horizon (1997) by Joel R — 22 Apr 2014
"The reality is much, much worse.".
Um filme ignorado pela crítica e pelo público apresenta todos os sintomas de ser um mau filme. A aceitação por ambas as partes significa que o filme tem tudo para ser um bom filme. O que esperar então de um filme bem recebido pelo público mas negligenciado pela crítica? Foi essa a minha questão antes de iniciar a visualização deste Event Horizon. A resposta surgiu para suportar a teoria de que o público tem quase sempre razão.
Event Horizon não é um filme primoroso, mas está muito longe de ser um mau filme.
Quando uma nave espacial, destinada a explorar o cosmos através de viagens inter-dimensionais, se perde numa região próxima da órbita de Neptuno, tudo o que dela resta é um sinal de socorro captado na Terra vários anos depois. Rapidamente é enviada uma missão de socorro na esperança de encontrar a nave, descobrir o que lhe aconteceu e, se possível, resgatar sobreviventes.
A ciência por detrás do filme roça o metafísico, com quase todos os detalhes matemáticos e físicos a aproximarem-se da pura especulação. É, por isso, obrigatório que se ponha de parte a nossa faceta de crítico científico mordaz por forma a que seja possível apreciar o filme. Ultrapassado esse obstáculo, o que nos aguarda é uma epopeia espacial muito assustadora e com alguns detalhes interessantes que, de uma forma ou outra, sobreviveram ao teste do tempo.
Embora alguns dos efeitos visuais se encontrem datados, grande parte das sequências orbitais são verdadeiramente espantosas. Além disso, os cenários interiores foram também meticulosamente erguidos, apresentando um nível de detalhe extraordinário.
Muitos questionam o talento de Paul W. S. Anderson, o realizador deste filme, e, se é verdade que o seu currículo está praticamente manchado por maus filmes, também é verdade que no meio dessas nódoas se encontra como que uma pérola (por comparação) chamada Event Horizon.
Curiosamente, este filme inspirou também uma das sagas de videojogos mais bem sucedidas dos últimos tempos: Dead Space. Eu joguei e estou em condições de dizer que as semelhanças são mais que muitas, o que é positivo, tanto para o filme, que vê o seu legado ser aproveitado, como para a trilogia de jogos, que criou um universo credível e arrepiante.
Embora a fórmula de Event Horizon tenha as mesmas raízes de Alien, de Ridley Scott, os seus momentos de originalidade são suficientes para justificar a sua visualização.
Os fãs de filmes de terror têm aqui uma escolha interessante; os que apreciam, de forma geral, ficção-científica poderão ficar um pouco desiludidos com a fragilidade do argumento técnico.
Seja como for, o filme entretem. O cinema criou-se para isso mesmo...
This review of Event Horizon (1997) was written by Joel R on 22 Apr 2014.
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