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Review of by Willschneider — 20 Jul 2020

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Se você é um historiador, professor ou um simples amante de história, você tem a obrigação de assistir o filme britânico intitulado Negação (Denial) de 2016. Este filme pouco percebido, devido o alto valor “estimado” dos filmes puramente comerciais em nosso país, é uma narrativa que necessitamos ver, sentir e falar mais. Pois seu tema é muito sério, e trata não apenas de um fato histórico verídico, mas também de toda uma carga emocional, que algumas pessoas tendem a esquecer com o tempo (o HOLOCAUSTO). Sendo assim, confira nossa crítica do filme Negação.

Rachel Weisz como a historiadora Deborah E. Lipstadt durante o julgamento no filme Negação.

Negação, como diz em seu nome, trata do gigante julgamento entre a historiadora judia e também escritora Deborah Lipstadt junto a editora de seu livro Penguin Books e o falsificador de história e (pseudo)-“historiador auto-intitulado” David Irving. Os dois travaram uma impressionante batalha jurídica em Londres referente a uma suposta difamação de Lipstadt para com Irving, quando esta em um de seus livros criticou a obra de Irving lhe colocando como negacionista do Holocausto.

O filme traz de maneira dramática as disputas morais referente ao caso, trazendo o ego inflado de um adulterador da história contra uma verdadeira historiadora, que fez críticas acadêmicas a este. Tudo isso, trazendo à tona, o velho revisionismo anti-semita e pró-neonazista, que se reergue 20 anos depois da queda de Adolf Hitler. Discursos que homens como Irving tentam fazer com suas obras.

Lipstadt e seu time de advogados e defensores após o julgamento. Cena do filme Negação.

O filme consegue trazer em seu roteiro, escrito em parte pela própria historiadora Lipstadt (com base no seu livro “History on Trial: My Day in Court With a Holocaust Denier”, publicado em 2015) e David Hare (roteirista do filme A Oitava Página de 2001 e Sombras do Passado de 1985), na busca pelas provas do holocausto e das falsificação da história de Irving, para então livrar a historiadora do banco dos réus e colocar Irving em seu devido lugar (longe das discussões acadêmicas e sérias sobre a história do holocausto).

O longa dirigido por Mick Jackson (Volcano: a Fúria de 1997, Acusação de 1995 e O Guarda-Costas de 1992) traz um conceito de filme real, que quase se compara a um documentário atuado, tem diálogos fortes e cenas que impactam. Não existe tomada aleatória, tudo se encaixa no contexto do julgamento, tudo demonstra o quanto estava em jogo naquele momento. Isso acabou por tornar o filme cansativo para uma massa casual, que não busca ver e sentir algo por um momento crucial da história (e não falo de um momento que vende como uma batalha épica de cinema, mas aquele momento que ocorre em um tribunal ou na mente de um indivíduo, mas que importam e afetam a história).

A briga de narrativas jurídicas são intensas, chegando a ser até (acredito eu) um bom filme para futuros advogados, que queiram assistir algo diferente e entender um pouco sobre o sistema judicial britânico, que alias ganha um bom punhado de tempo sendo explicado no longa. Tudo que aconteceu naqueles meses de julgamento foi esmiuçado e dissecado neste filme de quase duas horas.

Timothy Spall como David Irving durante o julgamento, cena do filme Negação.

Com um elenco diversificado e bastante competente, como a ganhadora do óscar Rachel Weisz (como Lipstadt), do indicado duas vezes também ao óscar Tom Wilkinson (como o advogado de Lipstadt, Richard Rampton) e do eterno Rabicho de Harry Potter Timothy Spall (como Irving). Foi possível captar esta intensa disputa pela verdade e também pela real justiça, que ao colocar Lipstadt no banco dos réus, colocou também em cheque todos os historiadores sérios e todas as vítimas e sobreviventes do holocausto junto a ela.

O filme trata tão bem nosso momento histórico, que ele aborda quase no seu final outro tema importante nesse momento da era da pós-verdade, que é até onde vai a linha da liberdade de expressão real e a que abusa desta liberdade para então mudar a história, trazer notícias falsas, manchar reputações e responsabilizar alguém pelo que ele realmente esta falando.

This review of Denial (2016) was written by on 20 Jul 2020.

Denial has generally received positive reviews.

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