Review of Blonde (2022) by Alanpotter17 — 28 Feb 2023
Andrew Dominik filmou dois filmes com propostas quase idênticas, mas seguindo sentimentos um pouco diferentes: enquanto em "This much I know to be true" (menos ousado, é verdade) a ideia é emocionar pela música, em "Blonde" o diretor tem um desafio maior, mas ainda assim ele não se desapegou nessa tentativa desesperada em nos fazer chorar, carregando sua câmera para captar emoções.
É bem verdade que Ana de Armas dá conta do recado em fazer de Monroe uma estrela incompreendida, embora a montagem com a infância nos dê pistas desta inadaptação.
A questão é que aqui o arco dramático é monotônico, forçando as lágrimas até o último suspiro. Ainda por cima, Ana de Armas se submete a cenas de sexo e drogas que podem pegar de surpresa quem espera um filme mais clean.
Absolutamente tudo aqui parece ter sido feito para forçar o drama, sem espaço para alívios. Baseado em uma biografia, não sei até que ponto esse apelo ficou por conta da obra literária. Mas o fato é que assistir a tamanho sofrimento por quase 3 horas deixou o filme carregado demais. Mesmo na cena com Wilde, fazendo uma comédia, ou na famosa cena do vestido esvoaçante, tudo parece sugerir uma carga de tristeza quase desumana.
Tá certo que a vida curta de Monroe, com a perda dos filhos e sua objetificação sexual não são temas que podemos considerar leves, muito pelo contrário. Mas no cinema é preciso criar uma sintonia necessária para não perder o interesse, e vemos o grande esforço de Ana de Armas para não cair no piloto automático devido à repetição da carga dramática do filme. Ela sobra em presença, a indicação ao Oscar está mais do que merecida, e o roteiro padece para entregar algo mais palatável.
This review of Blonde (2022) was written by Alanpotter17 on 28 Feb 2023.
Blonde has generally received mixed reviews.
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