Review of You Were Never Really Here (2017) by Zneversleeping — 29 May 2020
"You Were Never Really Here" é uma obra prima e já pode ser considerado um clássico contemporâneo.
A trama, em sua base, é muito simples, e pode até ser confundida com outros filmes de ação genéricos no qual estamos acostumados, mas a nuance aqui é a direção de Lynne Ramsay, o que ela escolhe mostrar e o que ela quer nos dizer com aquilo.
Aqui nossa perspectiva gira em torno do protagonista. A diretora quer nos imergir na sua cabeça, e isso fica explicito nos primeiros minutos do filme, onde não entendemos nada e fica a nossa escolha esperar que o filme nos diga algo ou começarmos a nos questionar sobre o que estamos vendo ali - isso é importantíssimo para ditar qual experiencia terás na obra. Joaquim Phoenix dá de tudo nesse papel. O seu personagem, Joe, não é explosivo, cabendo ao ator passar seus gatilhos de suicídio e confusões mentais através de pequenas nuances. A diretora auxilia muito com seus flashbacks, que são postos em momentos minimamente precisos, mostrando mais sobre sua sua infância, período militar e atuação no FBI.
Uma coisa que sempre deixo claro é que a intenção vale muito. Lynne Ramsay não glamoriza a violência, e nem tem o intuito de nos entreter com isso. Muitas vezes, vemos a consequência dos atos do protagonista e sua reação após tudo aquilo. A cena onde ele entra no apartamento/hotel no qual acontecia a prostituição de menores demonstra muito bem isso. A câmera alternando frequentemente e o modo como a violência aqui é tão letal e crua é fantástico.
A OST do filme acrescenta muito na tensão - tensão essa que muitas vezes é subvertida e tem uma conclusão inesperada. O que mais me deixa impressionado é que nada é feito por puro arranjo. Ele ter cantado com o cara que tinha matado sua mãe é algo que tem uma resposta visto todo o psicológico destruído do protagonista. A fotografia trabalha muito bem com planos detalhe e fechados. Foca muito nas expressões e muitas vezes serve como um retrato frio da violência que ali houve.
O final foi surpreendente e certeiro. Até o fim o filme subverteu minhas expectativas sem que parecesse nada forçado. Como na cena onde ele finalmente se mata - até percebermos que tudo aquilo se passava na sua cabeça. E é claro que tudo isso foi possível também pela atuação minuciosa do Joaquim, que passa uma realidade no olhar, nas suas expressões, no seu movimento, no seu corpo que é de ficar embasbacado.
This review of You Were Never Really Here (2017) was written by Zneversleeping on 29 May 2020.
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