Review of Wild at Heart (1990) by Gustavo H — 16 Jul 2010
Mesmo em seus devaneios quimérico-surrealistas mais sombrios, Lynch utilizava a escuridão distorcida de personagens e situações como porta de entrada para um entendimento aprofundado, visceral de certas perspectivas da condição humana.
Desconjuntado em sua narrativa (embora de propósito), esbanjando feiúra, contaminado por momentos de puro mau-gosto e violência gratuita, remendado por pausas cômicas cujo senso de humor deve fazer sentido apenas na misteriosa cabeça do diretor, talvez seja uma brincadeira de espírito underground sobre l?amour fou a não ser levada a sério, melhor digerida por quem tenha a bater no peito um coração selvagem ? ou pendor para se divertir com a fossa humana retratada na tela.
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