Review of Whatever Works (2009) by Asger L — 24 May 2010
Gostei como gosto de todo filme do Woody Allen.
Quem não gosta da fórmula clássica de neuroses, pessimismo, sarcasmo, diálogos rápidos, tudo ambientado em Nova York, não deve perder seu tempo. Quem gosta pode se deleitar, mesmo sabendo de antemão que não é das maiores obras de Allen.
Os personagens são, mais do que em outras obras do diretor, estereótipos de tintas forçadas. Clichés. E o filme mostra o movimento de transformação de todos eles.
Nesse plano é belo, pois vê abertura no que é tratado como uma realidade fechada e acabada (o tal do estereótipo).
No caso do protagonista genial e patético, com transtornos psiquiátricos aceitáveis mas marcantes, isso fica bem nítido. O que fica mal é a atuação de Larry David. O produtor de Seinfeld, sabidamente um fã de Allen, fica na maior parte do tempo um pouco aquém do convencimento do espectador. A aposta foi ousada. Larry David assume que nunca foi um ator.
O confronto que provoca as transformações individuais, essa fricção de estereótipos que faz nascer algo novo, também é um confronto entre Américas. Estados Unidos mas separados por um fosso quando se trata do interiorano conservador e tacanho e o cosmopolita novia-iorquino ilustrado.
Allen explica em filme, na tensão básica entre os personagens, porque é mais admirado na Europa ou no Botafogo Arteplex do que no Tennessee.
This review of Whatever Works (2009) was written by Asger L on 24 May 2010.
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