Review of Welcome the Stranger (2018) by Blank B — 08 Apr 2018
Sem qualquer estreia pelos cinemas do mundo fora, a empresa Sony decidiu limitar a distribuição de Welcome the Stranger apenas a video on demand, estando disponível na Internet desde 20 de março de 2018. Frequentemente, esta estratégia de distribuição indica que o estúdio não tem fé no projeto final, optando por reduzir custos e conseguir algum lucro. Mas será o filme do realizador e argumentista Justin Kelly assim tão mau? É definitivamente um filme estranho, mesmo para quem goste do desafio de desvendar o enredo enquanto se desenrola no ecrã.
A chegada inesperada de Alice (Abbey Lee) à mansão do irmão, Ethan (Caleb Landry Jones), marca o início desta história bizarra. Alice vem à procura de reconciliação, mas visões misteriosas, um buraco insólito e o regresso da namorada suspeita de Ethan (Riley Keough) dificultam a sua união. Confusos, ambos tentam valer-se da realidade perante circunstâncias paranóicas.
O filme leva o seu tempo a estabelecer a intriga. Com um elenco reduzido, mantém um ritmo pausado e consegue criar ansiedade no primeiro ato através da gestão das expetativas. Sem nunca o assumir, entre os estranhos acontecimentos, a narrativa transmite nuances de que podemos esperar incesto, suposição suportada através da proximidade dos atores.
A direção de fotografia de Matt Klammer capta de maneira sofisticada a atmosfera enigmática da história, sendo um dos pontos de destaque do filme. A composição musical de Tim Kvasnosky ajuda a perpetuar a inquietude que se vive, mas tudo isto é sol de pouca dura.
Assim que entramos no segundo ato do argumento, começa a ser evidente que o filme não está apenas a ser vago, mas sim a evocar questões que não tem quaisquer intenções de responder. De certo modo, é pretensioso nas suas ambições, e tanto Abbey Lee como Caleb Jones cedem aos caprichos do diretor, a fim de fazer prevalecer a sua visão artística.
No entanto, as suas performances estão de acordo com a permanente abordagem abstrata do enredo e tornam a experiência mais tolerável, a par com alguns aspetos técnicos. Recrutam frequentemente as expressões faciais e, por vezes, conseguem ser hipnóticos, especialmente Jones. Lee, com os seus esbeltos olhos azuis, transmite uma inocência que no final do filme se torna questionável.
O problema central de Welcome the Stranger é o facto de querer deixar tanto à interpretação que acaba por se tornar aborrecido e frustrante. É um thriller psicológico peculiar que mantém um interesse constante na sua estética mas deixa demasiados espaços em branco na narrativa para motivar o seu preenchimento.
4/10.
This review of Welcome the Stranger (2018) was written by Blank B on 08 Apr 2018.
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