Review of The Witch (2016) by Guylherme L — 23 Mar 2017
MEU DEUS DO CÉU MEU DEUS DO CÉU MEU DEUS DO CÉU MEU DEUS DO CÉU MEU DEUS DO CÉU MEU DEUS DO CÉU QUE FILME É ESSE MEU DEUS DO CÉU!!!!! Rapazinho, se tu tem qualquer problema de coração, estômago, mente e bexiga fraca, NÃO VEJA ESSE FILME, e nunca de madrugada ou fone de ouvido. Muitos de vocês devem se lembrar da época em que A Bruxa (2016), de Robert Eggers, saiu. Seja pelo hype dos engravatados de Hollywood, a exaltação dos pseudocult ou a ninhada de haters achando que o filme não merecia tanta atenção quanto ganhou na época, A Bruxa era o papo do momento pra quem curtia uma dose da querida 7ª Arte. Depois de tanto tempo esperando pelo filme em DVD para não ser preso pela PF - caô, só tinha me esquecido mesmo, senão tinha visto na net antes - eu assisti esse, que PRA MIM PARA MIM PARA EU PARA MI PERSONA, se tornou um dos meus preferidos quando se trata do horror no geral. Situada na época da Nova Inglaterra, onde os EUA estavam sendo explorados ao seu máximo e diversas colônias européias passavam a se abrigar em solo americano, somos apresentados a uma família fanática religiosa que tem a sua fé a prova ao serem banidos pelos síndicos do cafofo lá, os cara que tomam conta da colônia, não sei o nome mesmo. Obrigados a encontrar um novo lugar para morar e se estabelecerem, eles partem pra uma área afastada da colônia de onde saíram, uma área onde a mata virgem próspera ao redor de uma floresta sombria parecida com aquelas de A Bruxa de Blair (1999), outro filme que em muito se assemelha ao A Bruxa, mas que não deve ser motivo de comparação por seguir caminhos distintos. Quando o bebê da família, Samuel, some em meio a uma brincadeira com a jovem Thomasin (Anya Taylor-Joy), a família começa a encarar problemas de confiança em seu Deus e seus valores começam a desmoronar. Enquanto a força de Deus é contestada pelos jovens e afirmada a força (ênfase no A FORÇA), a floresta suspeita começa a deixar dúvidas: teria sido o bebê raptado por uma bruxa ou foram apenas lobos? É importante aqui ter em mente que este é um terror psicológico, onde não há os chamados jumpscares (aquelas cenas típica de filmes como Pânico e Sexta-Feira 13) e a arte e os personagens tendem a ser mais trabalhados que as ameaças que eles enfrentam. A maioria dos haters, que tanto odiaram o filme por terem o seu hype não-correspondido, foi o fato do filme em questão não ter momentos assustadores. Sabe como que é né? Aquele velho papo de A Bruxa de Blair ser ruim porque, vejam só, a bruxa de Blair não aparece no filme de 1999. Eu, particularmente, gosto muito mais de filmes de terror psicológico do que os canastrões que todo mundo conhece, onde as sequências se proliferam e a história quase sempre volta ao mesmo lero de sempre. A Bruxa segue uma linha perigosa desde o início, mostrando cenas que o público tradicional normalmente não é acostumado a ver, inclusive com as crianças e o bebê (não o do Rafinha Bastos). A escolha de focar o filme na jovem Thomasin, que desde o início aparenta ser muito afetada pelas condições religiosas que seus pais impõe sobre ela, construindo inclusive uma péssima relação com a sua mãe Katherine (Kate Dickie), foi extremamente sensata tendo em conta as lendas e relatos sobre bruxas no geral. Sempre representadas como mulheres que, a princípio, venderam sua alma para o diabo para conseguirem assim algo em troca, a jovem Thomasin aparenta não conseguir lidar com os seus próprios demônios e ficamos com a dúvida o tempo todo se ela realmente é o DEMONHO do filme. Sua relação com o seu irmão, Caleb (Harvey Scrimshaw), que levando em conta pistas que o diretor dá ao focar a câmera em Caleb sempre que este está para falar com a sua irmã e desvia seu olhar para os seios da menina, e o fato dela ceder às implicâncias dos gêmeos Marcy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson) dizendo ser de fato uma bruxa extendem a nossa curiosidade sobre o verdadeiro papel da menina. Outros 2 personagens importantes para o filme são os pais William (Ralph Ineson) e Katherine, fanáticos religiosos que tentam sobreviver ao novo lar. William é demonstrado como o típico chefe de família, carregando o fardo do fracasso em cuidar dos seus e sendo desconstruído ao longo do filme. Katherine, aquela FELADAPUTADESGRAÇADA, é retratada como uma mãe dura e fria, especialmente com Thomasin, e somente em um momento do filme vemos ela e a garota juntas como se amassem de verdade. É ela, também, a mais afetada da família. Seja vítima ou vilã, ela é uma cuzona do carilho e também essencial para o desenvolvimento da história. Agora, por último e não menos importante, devo frisar a importância de dois outros elementos do filme. O ambiente do filme é angustiante, sendo perfeito para o clima que Eggers quis passar ao telespec, inclusive a floresta. Com closes sutis e uma mixagem de som certeira, ao visualizarmos a floresta ainda no início do filme já temos a sensação de que tudo vai dar merda graças a música que passa a tocar de fundo. A paleta de cores é fria e crua, parecendo um peixe recém-pescado, e eu gosto muito de peixe. O ambiente, sem dúvidas, é um dos pontos altos do filme, desde a colônia - um detalhe muito interessante (e inútil) é que quando eles estão saindo da colônia, dá pra ver uns nativo-americanos chegando por lá - até a fazenda. Porém, o ponto chave é o famoso FILIPE NEGÃO, o bode que estampou diversos pôsteres e imagens promocionais na época de divulgação do longa. Filipinho, pros mais chegados, é feio que dói e muito serelepe, tendo como hobbies dar chifrada nos outros e incentivar crianças ao satanismo, e apesar de assustador, ele tá sempre de sorriso no rosto. A escolha de colocar o bode como uma das ameaças é até caricata se você for parar pra pensar, mas funciona perfeitamente com a época em questão, afinal, estamos falando da época onde curar pessoas era crime e bruxaria, o bode, com seus chifres, era uma figura ameaçadora e se aparentava com o cramunhão. Fifi Negão toma conta das cenas em que aparece, seja sendo reverenciado pelos gêmeos como o "Rei dessa floresta" ou pulando como uma besta demoníaca. Sem dúvidas, A Bruxa é uma obra de arte mais do que um filme de terror, e assim se torna difícil de mastigar para quem curte só levar uns sustos. Porém, não é de todo bom, eu realmente achei o final desnecessário demais, e por mim acabava sem aquela coisa toda na floresta. Só que eu só escrevo fanfic, não é mesmo?
"Black Phillip, Black Phillip / A crown grows out his head, / Black Phillip, Black Phillip / To nanny queen is wed. / Jump to the fence post, / Running in the stall. / Black Phillip, Black Phillip / King of all. /Black Phillip, Black Phillip / King of sky and land, / Black Phillip, Black Phillip / King of sea and sand. / We are ye servants, / We are ye men. / Black Phillip eats the lions / From the lions' den.".
This review of The Witch (2016) was written by Guylherme L on 23 Mar 2017.
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