Review of The Post (2017) by Aris O — 27 Feb 2018
Antes dos computadores e da Internet, o jornal era o meio de comunicação do dia-a-dia. Atualmente, a sua influência começa a deixar de se sentir, no entanto, nos anos 60 e 70, era natural encontrarmos multidões a desfolhar as folhas de papel com aquela textura e cheiro tão característicos. Mas até que ponto é que a informação que constava no papel era credível, quando tínhamos gerentes de grandes jornais, amigos dos mais altos cargos administrativos?
"A forma como eles mentiram, esses dias têm de terminar", diz Ben Bradlee (Tom Hanks) no thriller da era do Vietnam realizado por Steven Spielberg, sobre a revelação dos documentos do Pentágono em 1971 - Um relatório interno avassalador que, detalhadamente, informa como "a Casa Branca tem estado a mentir sobre a guerra". Richard Nixon era o presidente dos Estados Unidos quando o escândalo ocorreu, e, de imediato, sob acusação de traição, os editores dos jornais foram a Supremo Tribunal defender o seu direito constitucional de publicar a verdade. Entretanto, uma batalha interna decorre no The Whasington Post, a fim de convencer os investidores que o correto era de facto publicar o relatório em posse.
Um deslumbre do que se passa no Vietnam dá início ao filme, em 1966, onde o analista militar Daniel Ellsberg (Matthew Rhys) testemunha em primeira mão o que está a acontecer. Avançamos até 1971, onde o relatório de Ellsberg é a manchete do New York Times, expondo ao mundo que quatro administrações consecutivas têm estado a mentir ao público sobre as circunstâncias da guerra, e que o antigo secretário de defesa, Robert McNamara (Bruce Greenwood), sabia que não conseguia ganhar há 6 anos atrás.
Acompanhamos Kay Graham (Meryl Streep), uma viúva e mãe de quatro filhos, que não é apenas amiga de McNamara, como também proprietária do Whasington Post, que herdou do seu marido. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor do seu jornal, e está ansioso por ter acesso aos documentos do Pentágono.
The Post conta com uma equipa de luxo. Spielberg faz bom proveito da dupla Streep / Hanks, que contracenam pela primeira vez nas suas carreiras. Tom Hanks descreveu que o filme é "sobre a semana em que Katherine Graham tornou-se 'Kathrine Graham'", algo que está metodicamente executado. Kay é um peixe fora de água, uma mulher que está à procura da sua voz num meio dominado por homens. O arco da sua personagem é interessantíssimo e Streep atua de uma forma assertiva, gentil e reacionária. Quanto a Hanks, com o seu queixo elevado e mãos na cintura, interpreta Ben com naturalidade, criando uma excelente dinâmica com Streep. O vasto elenco secundário é também robusto, com atores como Matthew Rhys, Bob Odenkirk e Bruce Greenwood a cumprir os seus papéis.
Onde o filme perde no seu todo é na apresentação das suas personagens e na falta de ritmo na primeira meia hora, que não consegue prender o suficiente ao ecrã. O argumento de Josh Singer e Liz Hannah peca nessa questão. Assim que o conflito da narrativa ganha forma, a história torna-se irresistível.
A produção de design composta por Rick Carter transporta-nos para a época através dos edifícios, da tecnologia antiga e do uso de cores pastéis. A autenticidade é importante num drama histórico. Podemos sentir o prazer que Spielberg tem nas cenas de produção de jornais, assim como no funcionamento das máquinas de escrever antigas. A capturar a imagem está o diretor de fotografia Janusz Kaminski, que de forma inteligentemente coreografada, segue os protagonistas pelos corredores, imprimindo intensidade na história, principalmente na segunda metade do filme.
Por muito enquadrado e fiel que esteja ao seu tempo, esta é uma história urgentemente contemporânea, com Donald Trump a avançar para o seu segundo ano na Casa Branca. Com The Post, Spielberg apresenta um trabalho maduro, uma carta de amor ao jornalismo tradicional e um apelo à verdade e à liberdade da imprensa.
8,3/10.
This review of The Post (2017) was written by Aris O on 27 Feb 2018.
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