Review of The Celluloid Closet (1996) by Sam Y — 01 Oct 2010
* the celluloid closet 1995 - documentário - estados unidos.
um documentário rico, doce e inteligente sobre os homossexuais retratados no cinema mainstream, desde o surgimento do cinema, passando pelo cinema mudo, pela censura cinematográfica americana nas décadas de 50 e 60, até o fim do século XX. com dezenas de fragmentos dos mais diversos gêneros de filmes e depoimentos de roteiristas, atores e diretores, o filme mostra como o cinema começou liberal e tolerante, mostrando o afeto entre homens com beleza e romance, e o amor entre mulheres como sexy e fascinante, mas caiu numa "idade média" que durou duas décadas: a censura obrigou os cineastas a colocarem a homossexualidade em doses sutis, subliminares, em atividades cotidianas e objetos insuspeitos. assim, armas se tornaram referências fálicas, conversas banais se tornaram revelações e um simples olhar correspondia a uma declaração de amor. os anos 70 e 80 gozaram de maior liberdade para retratar gays como um grupo unido e alegre, e a sexualidade dos personagens podia ser explorada mais explicitamente. algumas cenas coletadas são cheias de humor, como em "car wash", de 1976, quando um gay rebate provocações com a frase: "i'm more man than you'll ever be and more woman than you'll ever get", e em "pillow talk", de 1959, onde um personagem gay protagoniza uma cena hilária onde, num encontro com uma moça, ele finge ser hétero e, em certo ponto, para impressioná-la, finge ser gay. isto é, um momento surreal do cinema onde um gay finge ser um hétero fingindo que é gay. o documentário também analisa os papéis sociais de homens e mulheres para tentar explicar porque homens gays ofendem mais homens héteros do que cenas lésbicas atingem o público feminino, e também levanta a questão dos termos "queer" e "faggot" usados de forma pejorativa para humilhar os homossexuais. por fim, traça-se uma linha do tempo, desde a época em que a homossexualidade era exclusivamente retratada para causar escárnio e humor, passando pelo momento mais sombrio, onde os gays foram mostrados como aberrações infelizes que mereciam apenas violência e morte, até os dias em que eles finalmente puderam ter o status de casais com o direito de ser respeitados. a cena em que tom hanks, em philadelphia (1993), recebe a notícia de que tem aids, e é amparado por seu parceiro, é uma centelha de esperança que avisa que o gay de hoje não está mais sozinho, que ele pode e deve ter o seu verdadeiro amor ao seu lado nos melhores e piores momentos de sua vida. uma frase de um dos depoimentos resume tudo: "o amor se faz com quatro letras para todas as pessoas". desde que o documentário foi lançado, em 1995, muitos progressos foram feitos, e hoje há milhares de bons filmes que abordam a temática gay de forma positiva e otimista. enfim, é interessante conhecer o caminho que os gays percorreram em hollywood em busca da expressão de sua identidade. o cinema é um veículo de muita influência, capaz de construir e destruir preconceitos, transformar a cultura e atingir um indivíduo. todas as pessoas buscam histórias com as quais possam se identificar e, com isso, se sentir pertencentes a um grupo, se sentir menos sozinhos. o retrato dos gays feito pelos filmes tem o poder de ajudar o homossexual a se aceitar ou levá-lo a crer que realmente há algo de errado com ele - principalmente se ele nunca se vê retratado nos filmes, ou se só vê retratos negativos de gays - e exatamente por isso o cinema tem o dever de levantar essa questão com ética respeito, pois só pelo exemplo podemos criar uma cultura mais tolerante em relação à diversidade amorosa.
This review of The Celluloid Closet (1996) was written by Sam Y on 01 Oct 2010.
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