Review of Speed Racer (2008) by Joe E — 03 Jan 2011
Dizer que o roteiro de Speed Racer é incoerente é uma heresia. Nunca vi filme que trabalhasse com tempos diferentes, simultaneamente, tão bem. Usa-se flashbacks e flashfowards de maneira tão orgânica que a atenção de quem vê fica presa de tal forma a história que misturamos sensações de modo a nos questionar por longos momentos o que é passado, futuro e presente, e mais, o que é sensação e o que é realidade.
E essa experiência é completamente espetacular. O clima de sensações e nostalgia tão necessário e valorizado na história quanto os fatos do presente, que dão dinâmica a narrativa, me fizeram me enxergar no personagem principal, enquanto eu próprio mergulhava em imagens do Senna e de assistir Speed Racer na infância.
Foi-se o tempo que a mera quebra de uma lógica cronológica nas histórias eram louváveis novidades. Os irmãos Wachowski revelaram mais um momento de brilhantismo com uma história que por simples em fatos se revela altamente complexa do ponto de vista narrativo, porque renova a ideia fraca que diz que um roteiro não é mais que ações.
Um roteiro, e por conseguinte um filme, tem que ser sensitivo. Como? Como o roteirista quiser. E um roteiro tem que ser uma peça literária. E que me digam o contrário. Ninguém vai me convencer que por vezes dizer "pena sem tinta" é infinitamente mais claro que dizer simplesmente impotente.
This review of Speed Racer (2008) was written by Joe E on 03 Jan 2011.
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