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Review of by Tara C — 02 Sep 2017

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Antes de começar a ler esta crítica - quero que você pare, respire, ponha o dedo aqui e diga: O quê seria de nós sem as nossas mães? Pergunta difícil essa, não é? O Maravilhoso Mundo da Sétima Arte é permeado por representações fidedignas da humanidade, seja da sua forma mais absurda à la Michael Bay ou na sua explosão de arco-íris ala Sessão da Tarde. Com as mães, felizmente não é nada diferente - menos se elas forem negras, lésbicas ou latinas.

Longe dos estereótipos, Hollywood sempre representou as mães no geral de maneira bastante diversificada. Porém, há características que ainda assim habitam no fundo de boa parte delas: o amor e a lealdade pelo filho pródigo. Seja Sarah Connor, mãe do líder da resistência contra a Netfl... Digo, SkyNET, ou Pamela Voorhees, aquela mesmo que uma vez deu uma visitinha em Crystal Lake se vingar pela SACANAGE que fizeram com o pobre Jason, filhinho dela, colocando ele para nadar com os girinos. Procurei pelos mais diversos filmes do gênero (de mãe hehehe) e eis que me dei de cara com uma OBRA PRIMA que há muito ansiava em ver, mas que por motivos nobres - esqueci - ainda não havia visto: O Quarto de? Jack?.

Baseado no livro de Emma Donoghue, minha amiga Donoguinha, o filme foi rapidamente aclamado e festejado pelos engravatados da Academia logo no seu primeiro dia de lançamento, no Festival de Telluride, nos confins do espaço. Seja o forte peso dramático que os personagens recebem durante o clímax, seja pela brilhante fotografia adotada pela equipe de Lenny Abrahamson, diretor do longa, ou seja pela FOFURISSIDADE do simpático Jacob Tremblay, Jacó Trem Bala pros íntimos, uma coisa é certa: o filme lida com uma das piores retratações de um plano de fundo maternal, isto é, é pesado o bagulho.

Situado em uma pequena cidade perto de lugar nenhum (onde fica a casa do Coragem) no meio do nada há um quarto. Um quarto onde Jack (Jacob Trembala) vive com a sua mãe (interpretada pela MARAVILHOSAMENTE LINDA ATÉ CHORANDO Brie Larson) e, todos os dias, segue a sua rotina diária sufocando a própria mãe de perguntas e mais perguntas, algo extremamente saudável e que toda criança faz. Jack é um menino criativo, brincalhão, inteligente e um tanto quanto agitado, e a sua mãe sabe disso. Ele gosta de desenhar, ver desenhos, fazer bagunça e brincar com a sua mãe. Seria apenas mais um caso normal de relacionamento mãe-filho se não fosse por um fato: eles são prisioneiros do pai de Jack (Sean Bridgers), um homem abusivo que a medida que o filme vai se passando se mostra cada vez pior. A mãe de Jack, que mais tarde descobrimos que se chama Joy, é constantemente abusada por Old Nick, "pai" de Jack. Durante os abusos, sempre em um horário fixo, Jack se refugia dentro de um armário onde, em tese, ele dorme para não ter que ouvir a coisa acontecendo. Porém, inquieto, tudo muda quando aos 5 anos o menino tenta descobrir mais sobre tudo a sua volta. É a partir daí que, se você não viu o filme, entre no armário, ligue o computador e vá assistir logo pois há um mundo inteirinho esperando por você aqui.

Teimosinho! Se você resolveu continuar, então lá vai: no clímax do filme - que vejam só, acontece ainda no começo dele - descobrimos que aquele quarto na verdade é um galpão onde Old Nick aprisiona Joy e Jack. Em certo momento do filme, ainda bem ao começo, Joy se confessa para Jack dizendo que ainda em sua adolescência, há 7 anos atrás do tempo do filme, ela foi atraída por Old Nick enquanto estava na rua. Achando que era pra ajudar um animalzinho ferido, a inocente Joy acaba sendo sequestrada pelo maníaco e é aprisionada em um galpão nos fundos de sua casa, e desde então tentou e tentou escapar, mas sempre era frustrada pela senha da porta do galpão ou pela força do seu sequestrador. É a partir daí que Joy passa de uma simples mãe frustrada com o rumo da sua vida e se torna uma personagem com mais camadas, explicando o porquê de ela ser tão protetora com o garoto e porque o menino nunca viu o mundo fora do seu quarto, contestando a própria realidade das coisas.

É interessante notar como todo o roteiro é bem construído nesse filme. Como todo diálogo, todos os monólogos feitos por Jack e todas as alegorias utilizadas na construção do ambiente central da narrativa é bem construída. Como nunca li o livro, não tenho base para falar sobre ele, mas com certeza muito das entrelinhas foram transpostas pro longa-metragem. Meu objetivo principal nessa crítica não vai ser, de fato, criticar aspecto x e y do filme e sim analisar a construção de sua narrativa no geral, mas especificamente Joy e Jack. Sério cara, até a parada do desenho favorito do maluco ser Dora Aventureira dá pra usar de metáfora, afinal, o sonho dele é explorar os limites do universo e do mundo, não? Seja no cachorro azul de Jack ou seja nos seus desenhos espalhados pela parede, a mensagem do filme é clara: a violência, a solidão e a dissociação da realidade.

Em diversos momentos do filme, têm-se uma tensão particular entre Jack e Joy, os mocinhos da película. Mano, ela passa água fervente no rosto do menino pra dizer que ele tá com febre e depois, como se ele fosse plantas medicinais aprovada pela ANVISA, ela enrola ele em um tapete e pede pro garoto pular do carro do cara que sequestrou ela. São limites do desespero que ela foi disposta a assumir e, sendo essa parte puramente subjetiva, pra mim são absurdos que ficam ainda maiores nas sequências em que ela demonstra que faz tudo aquilo por si própria. Você teria coragem de arriscar?

Com a depressão que acomete-na depois do clímax, Joy perde cada vez mais o seu apreço pela vida e se afunda em seu antigo quarto, o quarto onde foi criada, passando dias dormindo e negligenciando seu filho. Ela não escolheu ser mãe, foi vítima de um estupro e teve que aprender a lidar com tudo sozinha e, quando achou que tudo melhoraria para ela, a vida lhe dá mais uma rasteira ao descobrir que seus pais estão divorciados e, o próprio pai, não consegue olhar para o seu filho - que, vejam só, é horrível sim, mas é também por conta de todo o trauma envolvendo o sequestro da menina. Esta é a situação de muitas garotas que engravidam precocemente e são negligenciadas pelos pais, expulsas de casa e vítimas de abusos constantes. Joy, além de representar mulheres abusadas sexualmente, serve também para representar garotas que são abandonadas por seus pais quando engravidam.

O seu relacionamento com seu filho começa a se agravar à medida que ela não consegue aceitar a dificuldade que seu filho tem para se adaptar a uma vida comum. De crise em crise, Joy aumenta suas doses de comprimidos cedidos após escapar do cativeiro, até certo momento - precedendo a ótima sequência da entrevista - onde ela tem uma overdose, mas é salva (ou não) novamente por Jack. O menino, a partir daí, estaria sem a sua mãe pela primeira vez em todos os seus 5 anos.

Se lembrando da promessa que Joy havia feito a ele, de que se ele guardasse o 'Dente Mau' dela ela estaria protegendo ele, Jack decide enviar algo para sua mãe buscando lhe dar proteção: o seu cabelo (ESSA CENA É MUITO FOFA E EU QUASE CHOREI). Em seguida, temos um dos diálogos mais lindos que eu já vi na minha vida quando Joy pede desculpas para Jack e, este, se mostra grato por tudo o quê ela já fez, mesmo com seus defeitos.

Seja no simples ato de dar bom dia ao seu filho ou na difícil tarefa de visitar o quarto onde esteve aprisionada por 7 anos já que seu filho quis se despedir do antigo "planeta" dele, Joy evolui em seu próprio tempo assim como Jack se adaptou ao mundo real. Com o menino, ela aprendeu que nada é mais importante do que manter quem te ama por perto e da pica que é ter que segurar essa responsabilidade, mesmo com toda a tragédia envolvendo a história dos dois. O relacionamento dos dois, assim como o da nossa mãe conosco, não é perfeito e tem seus momentos de "Mãe/Filha Bobona!", mas o que restaura tudo ao fim é o amor e a GRATIDÃO que cada um guarda em seu armário do coração.

O Quarto de Jack é sem dúvidas um dos melhores filmes que eu já vi, e é ótimo quando uma película tão pura alcança ao patamar que este filme alcançou. Nada mais do que justo o reconhecimento que o elenco, a escritora e o diretor tiveram, inclusive com Brie Larson ganhando o Oscar de Melhor Atriz pelo seu papel como Joy. São inúmeros os temas que esse filme aborda com maestria e, lembrando, eu escolhi falar apenas sobre a relação maternal de Joy e Jack. Ainda há muito o que ver além da clarabóia.

This review of Room (2015) was written by on 02 Sep 2017.

Room has generally received very positive reviews.

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