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Review of by Carlos N — 15 May 2008

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A 5ª longa-metragem de Carl Dreyer é interessante ponto de paragem na formação iniciática do cineasta. Der Van Engang, ou a porção que temos dele, inspira-se em The Taming of the Schrew, de Shakespeare. Daí se constrói uma fábula que, a espaços, parece caída em desgraça, em processo de desencantamento. Uma princesa caprichosa e materialista que acaba por conhecer o seu destino amoroso ? casar-se com o príncipe da Dinamarca- através de um esquema rocambolesco deste. Pelo caminho, adquire a noção de virtude e humildade.

A formação que se refere passa então pelo domínio da relação entre a peripécia narrativa e a construção de ambientes. É sobretudo dessa relação ambientada entre o Kammerspielfilm e o Expressionismo, que irão nascer as suas principais obras.

Do fio da fábula, que Dreyer desprezava por não ter tido tempo para dimensionar as personagens, retenha-se um ar saudável de frivolidade. Vejam-se as cenas iniciais, com a ameaça pendente de enforcamento sob os criados e pretendentes, o cómico de personagem do rei bonacheirão ou a dimensão terrena oportunista do `Sancho` Kasper. Como em Prastankan, o tom jocoso descomprime o todo.

No entanto, a `expulsão do paraíso`: da princesa transformada em mulher de oleiro, dita ela a metamorfose de tom. Do claro para o escuro; da composição analítica dos interiores para a vastidão pictórica dos exteriores; das sequências de brincadeira no jardim das aias para o enforcamento num grande carvalho. Do menor Dreyer para o maior Dreyer. Como se o amor verdadeiro precisasse da cisão, da queda, ou da provação, pelo menos.

Claramente, Der Van Engang não vive da dimensão psicologizante das suas personagens- estas agem sobretudo por materialismo ou conquista. No entanto, alguns elementos transportam a fábula para além da sua moralidade. Falamos da `invisível` construção da dupla dimensão capricho/humanidade da princesa: como pega ela no ceptro do rei e faz ajoelhar os seus cervos ou como um simples gesto de leque carrega a chama de um amor renitente. Falamos ainda da sub leitura da obra com base na personagem mais interessante, a de Kasper. O `duplo` da nobreza consegue roubar o rei, espreitar e enganar a princesa (é o servo mascarado de cavaleiro que lança a trama) e casar-se, sem problemas, com a sua noiva no final) Quase evidenciando que viver sem preocupações é uma opção pessoal e frutuosa.

Uma palavra ainda para a princesa, porque é da sua `educação` que Der Van Engang trata. Uma mulher de `papelão`, destinada a viver feliz para sempre, sempre mais próxima da alegoria do que da carne e osso.

Por fim refira-se o inevitável: porque a obra não vive apenas do ambiente criador teria que nos ser dado a ver o pequeno `twist` efabulatório que terminava o film. É pena que se tenha perdido. Resta-nos a emoção, quase já transcendente, do rei oleiro e da princesa, sua mulher, de mãos postas ante um punhado de flores, numa cabana.

This review of Once Upon a Time (1922) was written by on 15 May 2008.

Once Upon a Time has generally received mixed reviews.

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