Review of No (2012) by Thomas W — 08 Jul 2013
"NO" (2013).
Realizador: Pablo Larraín.
Arfumento: Pedro Peirano.
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers.
"No" de Pablo Larraín ("Tony Manero" e "Post Mortem") é baseado numa história verídica. Tem lugar em 1988, quando, devido a uma forte pressão internacional, o ditador chileno Augusto Pinochet foi forçado a submeter-se a um referendo popular. Devia ele permanecer no poder: "Sim" ou "Não"? O referendo foi amplamente considerado uma farsa, até mesmo pelos assessores de Pinochet que esperavam ganhá-lo através do mesmo sistema de corrupção e intimidação no qual se baseava o regime. Forçado a ceder 15 escassos minutos por dia de tempo de antena de televisão à oposição, eles pensavam vir a assistir a um apelo desorganizado à indignação dos eleitores. O que eles não esperavam era uma campanha pacífica e cheia de "charme".
Gael Garcia Bernal representa o papel de René Saavedra, que à primeira vista parece ser apolítico, apesar de ser o filho de radicais. René trabalha em publicidade, e quando ele relutantemente concorda em aconselhar a campanha pelo "Não", percebe de imediato que a chave para a vitória não seriam discursos inflamados nem polémicas justas, mas sim os apelativos "jingles" utilizados nos anúncios de refrigerantes; convencer as pessoas a "comprar" a liberdade, ao que parece, não é muito diferente de fazê-los comprar Coca-Cola.
O filme é dirigido por Pablo Larrain, utilizando para isso uma máquina de filmar U-matic de 1983 (uma excelente fotografia saturada e em formato 4:3 num tom documental), para corresponder com as imagens originais de 1988 , e que duma perspectiva moderna se parece muito com um antigo vídeo em VHS encontrado no sótão de alguém. Não tenho a certeza de esta abordagem ser absolutamente necessária - a vertente visual suplanta, por vezes, o rigor histórico da época - mas depois de me adaptar ao processo achei a narrativa e o tema do filme muito mais convincentes. Este é, sem dúvida, um estudo eficaz sobre o embate político entre mensagens com significado real, e outras puramente superficiais.
Apenas a partir da observação do discurso político moderno, fica claro que o marketing político há muito que superou uma honesta troca de ideias. Argumentos que apelam à razão e à inteligência cederam terreno aos meros 'soundbites', aos chavões, e a 'memes'. O final do filme parece inesperadamente ambivalente, talvez reflectindo este problema não resolvido: será que vale tudo para ganhar uma batalha (mesmo que justa), mais importante do que ganhá-lha, mas de um modo honesto?(17/20).
This review of No (2012) was written by Thomas W on 08 Jul 2013.
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