Review of Monsieur Verdoux (1947) by Luís Fernando B — 02 Aug 2014
Se com Carlitos, Chaplin já mesclava as risadas genuínas com a desgraça da miséria social, em "Monsieur Verdoux" o mestre mergulha de vez em uma comédia habilidosa que tenta lidar como pode com os duros efeitos de uma sociedade falida e autodestrutiva.
Para tanto, Chaplin usufrui de um protagonista bastante complexo, que, apesar de sua atitude inescrupulosa como golpista e assassino, é em essência uma vítima dramática de uma mundo assolado pela Depressão econômica e pela ascensão do totalitarismo. Em verdade, Verdoux é um tipo particularmente trágico, uma vez que, concomitante ao seu cinismo e soberba, ele possui consciência de que se transformou em um ser desesperado por sobrevivência e estabilidade (diga-se de passagem, não só para si próprio como também para aqueles que mais ama) - e o rumo escolhido para sua subsistência só lhe trará uma gradativa corrupção de seus valores e atitudes.
Assim, Chaplin apresenta um mundo inóspito e nem um pouco idealizado, que promete apenas a incerteza e a instabilidade para seus personagens. Mas se, por um lado, o cineasta atesta tamanho pessimismo e angústia, por outro, Chaplin, como de costume, não abandona a beleza que o amor e a comédia ainda proporcionam à nossa vã existência, e é por isso que as risadas espontâneas ainda ocupam especial espaço em sua tela - ainda que desta vez sejam mais maliciosas e breves.
This review of Monsieur Verdoux (1947) was written by Luís Fernando B on 02 Aug 2014.
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