Review of Little Evil (2017) by Cort J — 25 Mar 2018
Enquanto que no campo do terror nada em Little Evil surpreende, no que toca à comédia conseguiu acomodar-se numa premissa engraçada e algo original. Eli Craig realiza este filme sem grandes invenções, mas com uma montagem ao estilo de Edgar Wright, o que confere algum ritmo ao filme. Já em relação ao guião, Craig não aproveita todo o potencial desta curiosa premissa, o que resulta numa execução fraca com alguns pontos fortes, especialmente no primeiro e terceiro atos. É um filme completamente inofensivo. Não consegue ser um fracasso total, mas também não tem nenhum momento verdadeiramente hilariante ou muito menos aterrorizador para merecer qualquer tipo de veneração.
Gary (Adam Scott), recém casado com a mulher dos seus sonhos, Samantha (Evangeline Lilly), descobre que o seu recente enteado (Owen Atlas) pode muito bem ser o filho do próprio Satanás. Uma premissa simples e que poderia ter sido extremamente engraçada, se Craig tivesse a ousadia e a ambição de elaborar um argumento com menos exposição e mais demonstração.
Como a velha regra do cinema diz... "Mostra, não digas".
O filme tem um bom começo mas rapidamente perde o ritmo que tenta impor. Somos apresentados às nossas personagens principais e percebemos que não têm substância. Gary é o marido paciente que tenta lidar com tudo da melhor forma. Samantha é a mãe tradicional que defende o filho independentemente da situação (chega a ser irritante de tão irrealista que é). Já o jovem Lucas destaca-se pela sua presença sinistra e olhar penetrador. Nada mau para uma primeira atuação... Infelizmente a sua dinâmica com Gary é extremamente forçada e nem a comédia nem o terror resultam. Principalmente porque o terror consiste em cenas que fazem homenagem a clássicos como The Shining (1980) e Poltergeist (1982), o que num primeiro relance pode parecer engraçado, mas as cenas tornam-se aborrecidas muito depressa.
Como referi anteriormente, o filme perde o seu ímpeto no segundo ato dada a quantidade de exposição que necessita para nos pôr a par de tudo o que se passa na história. E não só perde o ritmo como também não dedica nenhum tempo em explorar devidamente nenhuma das personagens, o que faz com que não exista empatia quando chega o terceiro ato do filme, momento em que decide carregar a fundo no acelerador. Apenas com uma cena em que Gary e Lucas interagem de forma mais complexa. Há um claro problema de estrutura na história. Contudo, a cinematografia é modesta e o filme consegue proporcionar algum entretenimento com o elenco secundário.
Eli Craig, que realizou também o filme Tucker and Dale vs Evil (2010), demonstra interesse no género comédia / terror, mas dá um passo em falso com Little Evil. No entanto, apreciei a mensagem que o filme insistia em passar: "A culpa nunca é da criança", diziam algumas personagens. Uma mensagem para todos os educandos que têm a importante e desafiante tarefa de criar um ser humano e a consciência de que os nossos filhos são, muitas vezes, o reflexo da educação e atenção que os pais lhes dão. Assim evitamos que se transformem em verdadeiros diabretes!
3,9/10.
This review of Little Evil (2017) was written by Cort J on 25 Mar 2018.
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