Review of Lifeforce (1985) by Miguel A — 06 Sep 2013
Devia ter uns oito ou nove anos quando vi o poster do "Lifeforce" pela primeira vez: mostrava duas mulheres completamente nuas coladas a duas cápsulas em viagem pelo espaço. A imagem era impossível de esquecer e para um puto de oito anos aquilo antecipava qualquer coisa de único e espectacular.
Tive sorte porque o poster americano é muito mais púdico e banal também. Muitos anos mais tarde voltei a encontrar o poster do "Lifeforce" e decidi que tinha mesmo de vê-lo. O que encontrei foi um filme claramente cego pela noção de que uma space opera pode cometer todos os excessos que entender, porque é um género por natureza destinado a fazer rios de dinheiro.
Não pode, especialmente quando os excessos envolvem vampiros vindos do espaço e todo uma narrativa sexual que faria Freud ficar acordado durante dois ou três dias seguidos. Com tudo isto, o realizador Tobe Hooper diverte-se (e tenta ser igual a si próprio) como pode, enquanto o gigante barco se afunda no mar bravo de um filme que não sabe bem como chegar onde quer chegar (se é que sabe onde quer chegar).
Há salas com objectos a voar por toda a parte (marca de Hooper), transformações abundantes e duas ou três cenas especialmente capazes de gerar risota. À medida que os vampiros espaciais vão sugando as energias dos habitantes de Londres, "Lifeforce" vai também estoirando milhares e milhares de dólares da Cannon, que muito provavelmente se enterrou à grande com este monstro desproporcional.
O auge de todo o fracasso acontece quando Patrick Stewart surge no lugar de Mathilda May e somos obrigados a ficar a olhar para um senhor careca em vez de uma modelo francesa que tem uns dos seios mais bonitos de todo o cinema sci-fi.
This review of Lifeforce (1985) was written by Miguel A on 06 Sep 2013.
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