Review of Fat City (1972) by Gordon B — 08 Jan 2014
Em grande parte dos casos, um filme de boxe só começa a rolar realmente a partir do momento em que nos leva com o seu crescendo glorioso, desde o primeiro modesto combate até ao grande duelo que opõe os dois homens mais duros no desporto.
É muito próprio do filme de boxe aquela alucinante montagem de um k.o. após o outro, que nos aumenta a "pica" ao mesmo tempo que nos faz acreditar cada vez mais no herói. "Fat City" quase atraiçoa esse fundamento do filme do boxe ao não acumular glórias para os seus protagonistas.
Esses que aliás até parecem demasiado instáveis para cumprirem até ao fim qualquer trajecto. Aqui é muito mais a vida que dá porrada em dois homens que, no fundo, até vão para dentro do ringue para despistar uma dor interior trocando-a por outra mais superficial.
Tal como o pugilista fica com a cabeça à roda depois de sofrer uma rápida combinação de socos, também o passo de "Fat City" cambaleia em sintonia com o sentimento dos seus protagonistas nem sempre muito preparados para o que a realidade lhes traz.
Stacy Keach e um muito jovem Jeff Bridges fazem-nos crer na dor que existe do outro lado, e este deve ser um dos poucos filmes de boxe em que a maior parte da dor é sentida no grande ringue e não naquele que é limitado pelas cordas.
This review of Fat City (1972) was written by Gordon B on 08 Jan 2014.
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