Review of Dunkirk (2017) by Ben T — 27 Mar 2017
Chegámos a um ponto na história do cinema em que o nome do diretor tem tanta ou mais influência que o nome de um ator. Nomes como Quentin Tarantino, Martin Scorsese, Steven Spielberg e Christopher Nolan são alguns exemplos desta realidade. Realizadores com uma visão muito própria e um talento natural para contar histórias através de imagens. É quase impossível não ficar exaltado quando um filme destes diretores está no cinema. Este não foi exceção.
Dunkirk é o mais recente trabalho do magistral realizador e argumentista Christopher Nolan, e conta a história real de uma evacuação durante uma batalha perdida por parte das forças aliadas, durante a Segunda Guerra Mundial. Soldados ingleses, franceses e belgas estavam de costas para o mar, completamente cercados pelo inimigo à espera de uma morte certa. Nolan conta-nos a história de uma forma original e cativante, que demonstra a crueldade e monstruosidade da guerra, evocando sentimentos como medo, insegurança e desespero sem recorrer a imagens grotescas ou sangue.
A película apresenta uma estrutura não convencional e características únicas dentro do género. Aclamados filmes de guerra, tais como Saving Private Ryan (1998) e Braveheart (1995), possuem os conflitos enquanto contexto histórico. São o plano de fundo para contar histórias de personagens envolvidas no cenário. Nos filmes referidos, esta ideia é executada de forma brilhante.
Porém, aqui Nolan faz algo bastante ousado. Não nos apresenta personagens principais. A situação em si é a personagem principal, a magnitude da possibilidade de 400 mil homens perderem a vida, aliada a uma série de fatores técnicos, foi o suficiente para ter uma experiência repleta de tensão e ansiedade. Na minha ótica, a intenção foi expressar que todos os envolvidos naquela horrível situação tinham o mesmo desejo, sair o mais rapidamente daquela praia. A ansiedade no interior dos soldados acumulava a cada minuto que passava, era palpável.
Toda a tensão foi criada através de cinematografia precisa - não houve uma única imagem desperdiçada - aliada ao conjunto de atuações e a uma arrebatadora trilha sonora do compositor Hans Zimmer, que de forma inquietante e determinada naturalmente fluía entre cenas. A produção, de uma forma geral, também deve ser elogiada. É um projeto ambicioso e nota-se desde o guião aos inúmeros figurantes que tiveram pequenos, mas importantes, papéis. Afinal de contas, a história era sobre estes soldados e o desespero que sentiram.
Filmes como este são marcos no cinema e têm extrema importância para a sociedade contemporânea. São uma lembrança de que as guerras são aterradoras e que o planeta não tem capacidade para sustentar uma grande guerra pós Segunda Guerra Mundial.
Dunkirk é terrivelmente belo. Nolan afasta-se das narrativas complexas para produzir uma autêntica bomba relógio prestes a explodir - é barulhento, intenso e quase perturbamente imersivo, uma autêntica demonstração de perícia para juntar à sua notável filmografia.
9,0/10.
This review of Dunkirk (2017) was written by Ben T on 27 Mar 2017.
Dunkirk has generally received very positive reviews.
Was this review helpful?
