Review of Deconstructing Harry (1997) by Rodrigo M — 25 Jul 2009
Woody Allen levando Woody Allen ao limite.
O humor ácido? Está lá. O protagonista escritor-neurótico-frustrado vivendo em NY? Está lá. O ar psicanalítico tomando conta das cenas e do roteiro? Está tudo lá. Mas tudo parece estar em uma nova fronteira.
Parece que o filme é um pouco mais corajoso e intenso que o seu habitual. Por isso mesmo é, para mim, o melhor dele que vi até hoje.
As cenas tangenciam mais o absurdo. A edição tem cortes menos tradicionais. O elemento do "homem fora de foco" é estetica e metaforicamente brilhante.
A trama, por si só, expõe mais a subjetividade de Allen e seus transtornos a partir de uma mistura constante entre a "ficção" das criações de um escritor que se inspira em sua biografia e a "realidade" da trama que se vê na tela.
Esses dois níveis se misturam delicada e violentamente. A confusão entre os planos cresce, de forma sutil, até a consagração final.
E me parece que essa mistura de planos se interliga a um terceiro nível: o da realidade fora da tela. Ao se expor como o neurótico, nova-iorquino, auto-biográfico, obcecado com as questões de sempre, se confundem e se esclarecem o personagem, as criações desse personagem (que é um escritor de "ficção") e o ator/diretor Woody Allen.
Elevar Allen à última potência, em todos os seus traços característicos, não seria um grande jogo para confundir autor, obra e obra dentro das obras?
Em "Desconstruindo Harrry" (atenção para o título!) ele se faz personagem de um personagem de si mesmo. E é por isso que se revela e se reafirma. Está tudo lá. Com divãs, tesão, cinismo, jazz e muitos diálogos inteligentes e engraçados.
This review of Deconstructing Harry (1997) was written by Rodrigo M on 25 Jul 2009.
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