Review of Dear Wendy (2005) by Vítor S — 25 Feb 2008
Ao lado de "Elefante" (Gus Van Sant), "Dear Wendy" é uma porrada na relação de fascínio da juventude americana com a questão das armas de fogo.
As metáforas estão todas presentes: a arma é comprada numa loja como se fosse um brinquedo; a relação entre o dono e sua arma é íntima e beira o romantismo; e, claro, existe o pacto de que as armas não serão jamais utilizadas, pois servem apenas para dar força a seus portadores, que se dizem pacifistas.
A forma como a história vai se construindo é perfeita, pois tudo se encaixa e prende a atenção por todo o filme. A idéia inicial é justamente fazer com que nasça uma empatia entre o espectador e os protagonistas, de modo que nos analisemos a fim de imaginar se precisaríamos de (ou se, pelo menos gostaríamos de ter) uma arma naquelas circunstâncias.
Outro grande trunfo é a forma sutil como o Vinterberg demonstra a ciência dos personagens sobre o perigo que as armas representam. É aquele velho caso de saber uma coisa, mas deixá-la bem no fundo, guardada, pois a verdade seria muito dolorosa e decepcionante. Essa noção serve perfeitamente como metáfora para a idéia de portar armas julgando ter intenção de não utilizá-las. A idéia de matar alguém é tão próxima, que, para evitar a tentação (a arma foi feita para isso, frisa o filme), troca-se a palavra "killing" por "loving". Isso foi um spoiler?
This review of Dear Wendy (2005) was written by Vítor S on 25 Feb 2008.
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