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Review of by Ryan S — 02 Sep 2018

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O ser humano está condicionado a temer o desconhecido. Um exemplo clássico é o escuro, um espaço onde a perceção falha e a dúvida é permanente. Outro exemplo é a natureza e toda a estranheza que dela advém. Creature from the Black Lagoon é o filme onde o diretor Jack Arnold explora essa ideia através de uma criatura pré-histórica com aparência humana mas características de anfíbio. É o último monstro do legado deixado pelos estúdios da Universal, que estabeleceu uma era no cinema de terror nos anos 30' e 40'.

O filme começa com uma expedição geológica na Amazónia, onde um cientista (António Moreno) descobre um fóssil de uma garra que data do período Devónico. Entusiasmado com o achado, o cientista reúne uma equipa para localizar o resto do esqueleto. A sorte não chega na primeira semana de exploração, até que tentam um pouco mais abaixo do rio, numa lagoa apelidada de "negra". Nesse local, encontram a criatura, que num primeiro contacto apresentasse curiosa, mas após a tentarem capturar, os seus instintos primários obrigam-na a lutar pela sobrevivência.

Os argumentistas Arthur Ross e Harry Essex adaptaram a história de Maurice Zimm com uma sensibilidade intemporal. Além de apelar ao medo mais primitivo da consciência humana, num ponto de vista histórico, a criatura pode ser encarada como uma metáfora para a ameaça nuclear que era fortemente sentida nos anos 50'. É uma narrativa que por vezes exagera na exposição, mas consegue injetar um ângulo educacional que acaba por tornar-se apelativa.

Entre as performances, os destaques são Lucas (Nestor Paiva) o capitão do barco, Kay (Julie Adams), a única mulher do grupo, e claro, o homem anfíbio, que foi interpretado por dois atores, um nas cenas em terra (Ben Chapman) e outro nas cenas aquáticas (Ricou Browning). Lucas acrescenta breves momentos de humor à narrativa, enquanto Kay oferece uma presença forte e sensual, com um guarda-roupa variado. Apesar de sofrer do estereótipo da donzela em apuros, brilha numa sequência aquática particularmente memorável, que partilha com o homem anfíbio.

Os feitos técnicos de Creature from the Black Lagoon tornam o filme relativamente fresco, mesmo para os padrões atuais do cinema. Claro que o fato utilizado pelo homem anfíbio está longe de ser um efeito especial sofisticado, mas visto através da esbelta fotografia a preto e branco de William E. Snyder, os seus movimentos possuem uma qualidade animalesca autêntica. Isto verificasse principalmente nas sequências aquáticas, onde as profundezas sombrias da lagoa amazónica são o local ideal para o homem anfíbio se esconder entre as algas marinhas e planear o próximo movimento.

Mas a composição musical de Hans Salter é a cereja no topo do bolo. Não só faz um tremendo trabalho ao longo do filme, como precisa apenas de 3 notas musicais para alertar os 5 sentidos. Certamente que não aterroriza como fez na sua estreia, e no final até pode haver simpatia pelo monstro, contudo, a pluralidade das mensagens e o facto de ainda hoje inspirar vários cineastas, fazem deste pequeno grande filme um feito admirável.

8,6/10.

This review of Creature from the Black Lagoon (1954) was written by on 02 Sep 2018.

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