Review of Clock (2023) by Alanpotter17 — 08 May 2023
Não há mais espaço para discursos diretos sobre feminismo no cinema. Já estamos saturados de dramas e de panfletagem, de tal modo que cabem aos roteiristas tentar inovar na abordagem, criando elementos ficcionais ou mesmo de filmes que lembram o velho e efetivo suspense psicológico para nos fazer chamar a atenção para a urgência do tema, e é isso que encontramos aqui.
Embora peque no didatismo, temos um filme bastante alinhado ao seu propósito demostrar o peso que a obrigação da maternidade tem para as mulheres, e olha que estamos falando de uma mulher bem resolvida, independente, bonita para os padrões ocidentais.
A analogia ao relógio biológico, embora seja meio óbvia, consegue entregar o tom de urgência, de corrida contra o tempo. A nossa protagonista PRECISA engravidar, ou o tempo lhe será fatal.
Ao aceitar participar de um programa misterioso sobre fertilidade, o segundo ato do filme se passa numa espécie de clínica macabra, e aí o filme começa a derrapar. Primeiro porque faltou segurar a mão, para tornar muito mais crível. E segundo, porque "bestializou" a protagonista, outrora tão dona de si.
É claro que num cenário como esse não se pode confiar em ninguém, e a luta contra ou favor da maternidade não me pareceu enveredar pela crítica social, mas tão somente pelas escolhas individuais, o que de certa forma ao mesmo tempo que enfraquece a narrativa no geral, fortalece o jogo de atuação e afeição do público à personagem.
Consegue manter o clima de suspense até seu final bem previsível, mas dentro das limitações do projeto é um delicioso passatempo que irá fazer refletir sobre a importância do tema, perceber que, sim, ainda é extremamente necessário falar das escolhas individuais das mulheres.
This review of Clock (2023) was written by Alanpotter17 on 08 May 2023.
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