Review of Chevalier (2023) by Alanpotter17 — 17 Jun 2023
Há uma trama extremamente necessária aqui versando sobre a necessidade de não apagar a histórias de pessoas negras influentes, principalmente levando em conta que seu destaque, certamente, dada a época em que ocorria, significava um peso muito maior de talento e de genialidade. Não é comum em pleno século XVIII ver negros (e mulheres) ocupando o mesmo espaço dos homens brancos.
Ocorre que a mão da direção pesa, e não é pouco. Toda a linguagem, o comportamento, o maneirismo, peca por ser basicamente um olhar contemporâneo de tudo o que se vê em tela.
Uma introdução mito pouco provável de ter ocorrido, com Bologne adentrando o teatro e chamando Mozart para uma competição, assim, do nada. É gratificante ver a postura do homem negro se posicionando com orgulho, mas precisava mesmo distorcer o fato para a "inconveniência"?
Sem contar que em muitas cenas o homem foi objetificado de forma mais estigmatizada possível, numa cena em especial uma das mulheres com quem topa num salão de festas insinua o "tamanho" de seu instrumento, fazendo o trocadilho com o seu orgulho. Não tinha ninguém para avisar?
Toda sua infância e adolescência passam voando, regressando apenas para contar como obteve uma educação de alta qualidade, em um diálogo também muito direto e pouco acurado.
Bem, se por um lado toda a intenção é jogada de forma didática e se acuro, por outro lado o filme mostra a que veio, na plenária de pensadores estão ali as falas feministas e anti-racistas de forma mais explícita possível. Jogando para escanteio a verossimilhança e o apuro nos diálogos, o filme se desnuda de boas intenções, num cinema que nem parece retratar uma época, exceto pelo figurino.
Merecei um trato melhor, uma história fascinante, um homem que abriu caminhos, mas cujo filme recebeu um tratamento bem desleixado.
This review of Chevalier (2023) was written by Alanpotter17 on 17 Jun 2023.
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