Review of Blue Is the Warmest Color (2013) by Miguel A — 27 Jul 2014
"Blue is the Warmest Color" será sobretudo um filme sobre o que há de sagrado na intimidade e como esse valor pode ser abalado por mil agentes mais ou menos ligados à actualidade: seja a tentação dos caprichos, o cultivo do ego, a mesquinhez social.
Ainda assim, o labirinto emocional que se constrói a partir daí só ganha uma dimensão arrebatadora por causa de Adèle Exarchopoulos (a jovem Adèle do título original), que assume as fragilidades do seu personagem com uma força própria de um tour-de-force dramático capaz de definir uma carreira.
É necessária muita coragem para aceitar tão incondicionalmente o desgaste de um papel como este. Mas Abdel Kechiche já tinha provado, com "The Secret of the Grain", que é um realizador de poucos pudores e exímio na forma como absorve a sensualidade das suas jovens actrizes.
Mesmo sem ser especialmente original ou sequer sólido na sua narrativa, "Blue is the Warmest Color" garante um vibrante cinema de emoções e atreve-se a sondar a sua principal relação afectiva (entre duas raparigas) com uma profundidade atingida somente por Cassavetes e poucos outros.
This review of Blue Is the Warmest Color (2013) was written by Miguel A on 27 Jul 2014.
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