Cinafilm has over 5 million movie reviews and counting …
Sitemap
Search

Last updated: 27 Jul 2026 at 05:15 UTC

Back to movie details

Review of by Ryan M — 12 Oct 2017

Share
Tweet

Após 35 longos anos da estreia no grande ecrã de Blade Runner (1982), os fãs do, agora considerado clássico, foram presenteados com a sua ansiosa sequela. As expetativas estavam ao rubro e o diretor Denis Villeneuve, que deu cartas no género de ficção científica recentemente com o filme Arrival (2016), estava ciente da responsabilidade que tinha ao assumir o controlo deste distinto e brilhante universo criado por Ridley Scott. Tão único que serviu de inspiração para todo e qualquer filme de ficção científica realizado pós Blade Runner. Dito isto, salvo em dizer que Blade Runner: 2049 é a melhor continuação que o seu original poderia ter. Não só progride a sua história, como segue a filosofia de Scott no que toca ao aspeto, ritmo e tom.

Estamos agora em 2049 neste mundo fictício e um texto inicial coloca-nos a par de tudo o que aconteceu desde 2019, ano em que ocorreu o primeiro filme. A Corporação Tyrell entrou em falência e uma outra tomou o seu lugar, a Corporação Wallace, que continuou a criar androides para fazerem o trabalho que os humanos não fazem, mas, desta vez, mais obedientes. O seu criador, Niander Wallace (Jared Leto), não poderia ter o ego mais elevado, não fosse ele o génio por trás da resolução quer da crise energética como da fome. No entanto, o foco principal da narrativa está na personagem de Ryan Gosling, de nome K. K é um agente da polícia de Los Angels e também um blade runner que se encontra à caça de versões mais antigas das réplicas atuais. Após uma descoberta intrigante, ele começa a ter dúvidas sobre o seu trabalho, a sua vida e o seu propósito.

No que toca ao enredo, Blade Runner: 2049 é começa rapidamente a entrar em território de spoilers assim que o começamos a desenrolar, portanto resta-me dizer que o filme persegue a crise existencial do seu original, colocando as mesmas questões: O que significa ser humano? ; O que significa ter memória? ; Quanto é que essas memórias nos influenciam? A forma cerebral e desafiante como as questões são colocadas tornam Blade Runner: 2049 num blockbuster sofisticado. Oferece mais questões do que respostas, mas tem a confiança necessária para optar por uma montagem mais pausada e contar a história a que se propõe, com as suas próprias regras.

Tecnicamente, 2049 é magnífico, um autêntico banquete sensorial. A música de Hans Zimmer apresenta resíduos de Vangelis e eleva-se poderosamente nos momentos de maior emoção. Acrescentar à imagem através de misturas de sons que representam os estados de espírito das personagens ou o caos industrial da cidade. A direção de fotografia de Roger Deakins é simplesmente soberba. O mundo distópico de Blade Runner volta em pleno ao ecrã, mas desta vez mais degradado, um ecossistema completamente colapsado, e o estilo noir é novamente registado na imagem. O jogo de luzes e contrastes entre as naturais paisagens urbanas e a iluminação artificial tornam-se cativantes ao olhar. Quase cada segundo do filme consegue, de alguma forma, transmitir-nos um plano digno de emoldurar. Sim, é um filme que exige muita atenção, mas sem dúvida que recompensa.

Para quem se sentir extenuado durante o filme, não condeno, é longo (2 horas e 41 minutos), e como tal exige alguma predisposição para acompanharmos a história e deixarmo-nos envolver nos seus mistérios e proposições. A sua qualidade intelectual também não permite uma satisfação fácil no final da jornada. Apesar do filme concentrar-se nas mesmas questões que o original, Villeneuve desenvolve ideias particulares, como por exemplo a problemática da exploração infantil que é visualmente abordada.

Villeneuve, que trabalhou com Roger Deakins em filmes tremendos como Prisoners (2013) e Sicario (2015) afirma-se com Blade Runner: 2049 um dos melhores diretores a trabalhar em Hollywood neste momento. É também um diretor que claramente sabe guiar atores. Destaque para Gosling com uma performance minimalista e expressiva, de Armas, que interpreta Joi de forma convincente e Harrison Ford, que volta no papel de Deckard para uma atuação com muito, muito coração. Villeneuve disse numa entrevista que apenas aceitou realizar este filme porque não queria que nenhum outro diretor estragasse a propriedade. O resultado foi uma obra acarinha do início ao fim, um filme que ama o seu antecessor, mas que possui uma identidade própria.

9/10.

This review of Blade Runner 2049 (2017) was written by on 12 Oct 2017.

Blade Runner 2049 has generally received very positive reviews.

Was this review helpful?

Yes
No

More Reviews of Blade Runner 2049

More reviews of this movie

Reviews of Similar Movies

More Reviews

Share This Page

Share
Tweet

Popular Movies Right Now

Movies You Viewed Recently

Get social with CinafilmFollow us for reviews of the latest moviesCinafilm - TwitterCinafilm - PinterestCinafilm - RSS