Review of Bitter Moon (1992) by Miguel A — 04 May 2012
"Bitter Moon" tem aquela qualidade muito particular do cinema de Roman Polanski: por mais que a história de obsessão e tensão (fechada em câmara) roce o patético, o drama vivido pelas personagens é tão intenso como um desastre na estrada, o que só faz com que seja quase impossível desviar os olhos.
E é claro que Polanski conhece bem o nosso apetite pelo mórbido e pela auto-tortura. Esse é, aliás, um dos pilares essenciais da sua arte e engenho. "Bitter Moon" é pois uma master-class nesse aspecto e tem a capacidade de transformar Emmanuelle Seigner numa das mais atraentes presenças que já vi num ecrã.
Peter Coyote será, por sua vez, um pobre diabo igualmente inesquecível e tem aqui um grande papel. Quando assim é, os solavancos na narrativa são suportáveis e combinam bem com um filme que decorre a bordo de um cruzeiro desengonçado em alto mar.
Não surpreende também que "Bitter Moon" tenha dividido a crítica como aconteceu: dois horas e vinte de visita guiada pelos extremos da obsessão - e, nisso, deve muito a "That Obscure object of desire", de Buñuel - não é o tipo de coisa que costuma reunir consensos ou levar famílias felizes ao cinema.
No que diz respeito ao inferno (sexual) que cada homem pode encontrar numa mulher ou vice-versa, este é um filme bem mais poderoso que o "Anti-cristo" e não precisa sequer de chocar com mutilações.
Calculo que seja um daqueles Polanskis que alguns possam julgar já ter visto porque o poster ficou muito presente na memória. É uma pena se assim for. 4/5.
This review of Bitter Moon (1992) was written by Miguel A on 04 May 2012.
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