Review of Atomic Blonde (2017) by A.c. M — 17 Jan 2018
Misturemos John Wick com a Guerra Fria e um feeling de James Bond, e o resultado é este. Baseado na história: The Coldest City de Antony Johnston, Atomic Blonde é ousado e sensual, um filme repleto de intriga, boas atuações e ação de primeira. Muito por mérito de David Leich que entra no universo da realização após inúmeros trabalhos enquanto coordenador de duplos. O seu entendimento de movimentação e realismo nas cenas de ação, em conjunto com a poderosa performance de Charlize Theron proporciona sequências de entretenimento que têm tanto de deslumbrante como de visceral.
Mas este não é apenas um filme de ação, é na verdade um filme de espionagem com uma boa dose de confrontos. Apresento-vos Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma espiã enviada pelo MI6 para Berlim durante a Guerra Fria com o intuito de investigar a morte de um parceiro, assim como recuperar uma lista de nomes que contém agentes infiltrados. A história em si não é nada original, vários filmes utilizam esta premissa, incluindo Skyfall (2012), para nomear um exemplo recente.
O destaque vai facilmente para Charlize Theron, a personagem dela tem apenas uma falha, está um pouco subdesenvolvida no que toca ao seu passado. Também sentimos uma falta de motivação, não sabemos bem o que a move, os seus princípios, mas após reflexão concluí que isso fazia parte da sua personagem, e de praticamente todas as personagens do filme, o que explicarei mais à frente.
A câmara glorifica Threon, desde o seu corpo à sua forma de ser, sem nunca se tornar sensacionalista. O seu ar sereno e sedutor contrasta com o barulho e revolta que se vive nas ruas. E quando entra em conflitos é implacável, mas também vulnerável, não é nenhuma super heroína, o que tornou a experiência mais terra a terra. James McAvoy e Sofia Boutella são as duas outras personagens que mais personalidade demonstraram. McAvoy simplesmente não consegue atuar mal, impressiona de filme para filme, e Boutella aqui tem um pouco mais a fazer do que nos seus papéis mais usuais, apesar de estar também um pouco subdesenvolvida no papel.
O filme apresenta um bom ritmo, a música composta essencialmente por canções dos anos 80 contribui para o entretenimento das cenas, embora às vezes distraia um pouco do que supostamente nos devíamos de concentrar - as cenas de ação e o enredo. Apelava a uma utilização mais moderada do volume.
O meu maior problema com o filme é a forma como Kurt Johnstad escreveu o guião. Lorraine está a contar a história a dois dos seus superiores e nós observamos o que ela lhes conta, sabemos que essencialmente ela está bem, embora fisicamente abatida. O método utilizado não é novo, mas retira alguma tensão à intriga. No meio de tanta música, ação e a excelente performance de Theron, a intriga fica mergulhada e a certo momento torna-se confusa. Sabemos os objetivos principais e esses são fáceis de seguir. Mas acredito que uma narrativa mais tradicional iria beneficiar o entendimento da história.
David Leich revela-se um realizador a ter em conta no que toca a filmes de ação. Entende a sua arte e estou convicto de que nos irá apresentar muito bons projetos no fututo. Quanto a Atomic Blonde, é um filme com tremendas qualidades, mas uma história algo complexa e contorcida, o que prejudicou um pouco a experiência.
O que resulta a um nível mais substancial neste filme é o facto de que o caos que se viveu em Berlim durante o período que levou à queda do muro e os conflitos políticos que lhe são inerentes, servem de metáfora para a ausência de facções das nossas personagens, cada um lutava por si mesmo porque não existia um lado bom e um lado mau.
O filme tem 1 hora e 55 minutos, todavia não me importava nada de ficar mais uma hora a deliciar-me com Theron. Tremenda mistura de talento e beleza num filme que soube o que queria ser desde o primeiro momento.
8/10.
This review of Atomic Blonde (2017) was written by A.c. M on 17 Jan 2018.
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