Review of Atlantic City (1944) by Miguel A — 12 Oct 2013
Um grande actor é também aquele que nos deixa a pensar que mais ninguém faria aquele papel tão bem como ele. E assim acontece quase sempre com Burt Lancaster: ele que assume a posse dos personagens e leva-nos a crer que nenhum outro podia calçar aqueles sapatos.
O Lou de "Atlantic City" não é assim tão diferente do Príncipe Fabrizio de "The Leopard": os dois tentam manter a face limpa e o cavalheirismo intacto enquanto à sua volta ruem os valores de outrora.
Contudo, o Príncipe de "The Leopard" está encurralado entre um presente estranho e um tempo que já foi, enquanto o Lou de "Atlantic City" persegue permanentemente um tempo que está sempre por acontecer.
Como background de uma história de amor e droga (duas torres impossíveis de ignorar na paisagem da dependência), Atlantic City é quase uma segunda-divisão de últimas esperanças para os que perderam tudo na primeira (Las Vegas).
"Atlantic City" oscila entre situações duras e uma realidade mais próxima da comédia para novelas, mas a sua narrativa produz constantemente uma mistura de mágoa e desilusão que sobrará para alguém no final, um pouco como a roleta que, para fazer um feliz, tem de deixar uns quantos na merda.
This review of Atlantic City (1944) was written by Miguel A on 12 Oct 2013.
Atlantic City has generally received positive reviews.
Was this review helpful?
