Review of Arrival (2016) by Guylherme L — 08 Apr 2017
LEVEM-ME AO SEU LÍDER PORQUE EU PRECISO MOSTRAR A ESTE MUNDO QUE FILME FANTÁSTICO É ESSE ARRIVRAU, ou A Chegada (2016) para os íntimos. Considerado um clássico quase que instantaneamente após a sua saída no Festival de Sundance, o queridinho dos cults, a obra-prima do canadense Dennis VILANOVA, ou novinho da vila pros íntimos, que cada vez mais vem se provando um dos mais versáteis diretores do novo século. A sétima arte, mais do que simples forma de entretenimento, servem para alimentar e atiçar o aprendizado do público. Há filmes que são para o seu divertimento, há filmes que são para o seu aprendizado e também há filmes que tanto te divertem quanto te proporcionam um êxtase consistente de sentimentos diversos, desde o encanto com os belos gráficos, a bela história ou as explosões mirabolantes que acontecem há cada frame, ou àquele sútil, mas impactante, acontecimento que muda totalmente a sua compreensão da obra e te faz, como um soco no estômago, soltar um evasivo "PUTA QUE PARIU" no meio da sala de cinema. Dennis Vilannueve, o Dedê, é capaz de misturar todos os seus sentimentos como se fosse uma vitamina matinal que a sua mamãe fazia quando você ainda era apenas uma sementinha (do mal). Em A Chegada, o diretor da terra do Wolverine nos entrega uma ficção científica consistente, um scifi raiz, que trata o tema "invasão alienígena", se é que podemos chamar disso, com total maestria como Van Ludwig fazia em suas sinfonias. Contestando uma coisa que nunca havíamos parado para pensar antes, A Chegada fala sobre o que aconteceria se os alienígenas não quisessem matar todo mundo, conquistar o mundo e preservassem as populações de mosquitos e sim batessem um papo, trocassem um lero, passar um reto pra humanidadez? Seríamos devidamente humanos, no sentido cool da palavra, e estaríamos abertos para aprender e conhecer uma nova forma de vida ou cagaríamos com tudo como sempre fazemos? É óbvio que você já sabe a resposta. Centrado na Doutora em Línguas Louise Banks (Amy Adams, a Lois Lane hipster), o filme começa com um flashback da vida da doutora antes da invasão. Em cores quentes, fortes e vivas, os flashbacks mostram cenas onde ela vivia feliz com a sua filha, Hannah, até o momento de sua inevitável morte pelo câncer (acredito eu). Divorciada e sem muitas esperanças, logo somos levados à universidade onde a moça leciona, em um dia normal da realidade estadunidense. Percebendo a constante agitação de seus alunos e das pessoas no geral, a Dra. Banks suspeita que algo está acontecendo, e logo descobre que estranhos ovnis, apelidados CARINHOSAMENTE de conchas, apareceram suspensos no ar de 12 locais diferentes espalhados pelo mundo, inicialmente aleatórios para nós. Um deles, como sempre, se encontra numa remota área industrial de Montana, nos EUA, e o governo americano parte para tentar controlar o ovni e descobrir o que eles querem. Eles chamam a Dra. Banks, parceira de role deles desde quando teve que traduzir pelo Google Translate um vídeo terrorista, e o Doutor em Física Teórica Ian Donheiler (Clint Barto... Ops, Jeremy Renner, o Hawkeye), e dão liberdade para ambos trabalharem entre si e desvendarem não só o dialeto como as características alienígenas. Aparentemente, vemos Banks como uma mulher fria, sem demonstrar muitos seus sentimentos e nem falar muito sobre o seu passado obscuro. O diretor utiliza da ótima fotografia e edição para criar um clima angustiante, pesado, afinal estamos falando de uma mulher que perdeu a sua filha e, muito por isso, não tem mais aspirações para continuar vivendo. A relação que Ian e Louise criam juntos, apesar de aparentemente desnecessária e clichê, se torna muito importante para o desenvolvimento do filme no mais tardar. Com o passar do tempo, vemos como os esforços da Dra. Banks e do Dr. Donheiler são jogados no lixo quando o caos e a desconfiança para com os alienígenas vem crescendo com as ações militares dos governos chineses e russos - sempre os comunistas. O General Shang, muito citado pelas mídias televisivas, se mostra o grande responsável pelo twist que temos no filme, e agora é hora de falar dele sim, porque O CARALHO DESSE PLOTWIST É GIGANTE! Meua migo, vamos começar. Se você não entendeu o filme, te indico procurar no Google porque eu não pretendo me estender no assunto, e acredito que resumir tudo seja um puta contragosto e desrespeito ao filme. Em certo momento do filme, vemos que em um dos flashbacks de Louise, ela fala com sua filha enquanto está pondo ela pra dormir, respondendo a pergunta quanto ao nome da menina, dizendo que se trata de um palíndromo. Palíndromos, como vocês claramente sabem já que não mataram a aula de português para dormir nos seus dias de contraturno, são palavras que, lidas de trás pra frente, apresentam a mesma forma de escrita do que lidas na forma normal. É o caso de Arara, de Ana, de SOCORRAM-ME SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS, e por aí vai. O que vocês não devem ter percebido é que, na verdade, ali a Dra. dava um puta spoiler do que era o filme. Sim, isso mesmo. O filme todo é um palíndromo. Com o passar do tempo, descobrimos que quanto mais Leslie se aproxima dos heptapodes, os alienígenas do filme carinhosamente apelidados por Ian de Abott e Costello, e mais entende sobre o seu dialeto, mais ela se torna capaz de ver as coisas como eles e, assim, dominar a sua linguagem. Mesmo que exagerado, Louise passa a entender que os signos exibidos pelos alienígenas, que aparentemente eram apenas letras, significam muito mais. São formas de enxergar o passado, formas de entender o tempo que, para eles, não funciona de forma linear. Para nós humanos o tempo funciona como se fosse um rio, com começo e fim. Um tempo não-linear é uma esfera. Ele não tem fim, ele não tem começo, ele pode até não ter forma e funcionar de maneira desconhecida, sem a noção de passado e futuro. Os alienígenas, heptapodes, possuem olhos em todas as pernas, incrementando ainda mais essa ideia de não conseguirem ter noção de "frente" e "atrás", como nós temos. Os símbolos, esferas com uma ou outra característica distinta, representam o tempo para os aliens, sem início início e sem final. Os alienígenas em questão questão são capazes de enxergar o tempo de uma maneira não-linear, mais precisamente como uma esfera, aonde não existe um passado nem um futuro. Tudo acontece o mesmo tempo, seja o seu nascimento ou o seu casamento. A doutora Louise, ao começar a entender isso, é capaz de não só se comunicar normalmente (falando sua língua nativa) com os aliens como também ter um maior controle sobre as suas visões do futuro, as quais achávamos até o plotwists que eram do passado. Nisso, o filme nos revela um dos maiores e melhores plotwists do scifi na minha opinião, ao tratar com maestria a forma como o tempo não é preciso e como os seres-humanos precisam estar evoluindo sempre, seja no seu modo de lidar com povos estranhos ou no seu entendimento do universo. Ao final do filme, o que temos é um mundo parcialmente unido, em comunhão. Os governos agora são todos amiguinhos, como calouros e veteranos nas primeiras semanas de aula, e tentam juntos entender e crescer com a experiência que tiveram com AS MÃOZINHAS DEMENTADORAS. Literalmente, foi preciso o espaço dar uma mãozinha (ou duas, ou duas vezes doze) pros humanos pararem de ser cuzões.
Deus eh top (mensagem dos heptapodes).
This review of Arrival (2016) was written by Guylherme L on 08 Apr 2017.
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